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Brics: Brasil e aliados condenam tarifas de Trump e buscam alternativas ao dólar em comércio e investimentos

Brics avança no uso de moedas locais e condena tarifas unilaterais em resposta ao protecionismo

Em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo e sanções econômicas, os líderes do Brics, bloco que inclui o Brasil, aprovaram a Declaração de Nova Déli. O documento condena firmemente o aumento de tarifas e barreiras comerciais impostas de forma unilateral, além de anunciar um aprofundamento no uso de moedas locais para transações comerciais e investimentos entre os países membros.

A declaração ressalta que o sistema multilateral de comércio se encontra em um ponto crítico. O aumento de restrições comerciais eleva a incerteza na economia mundial, afetando de maneira desproporcional as nações em desenvolvimento, conforme apontado pelos líderes do bloco.

Com unanimidade, os países expressaram profunda preocupação com a proliferação de tarifas e barreiras não tarifárias. Segundo eles, tais medidas são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e representam uma ameaça às cadeias globais de suprimentos. A declaração também critica medidas protecionistas disfarçadas de justificativas ambientais, defendendo a recuperação do sistema multilateral de comércio. Conforme informação divulgada pela fonte, os líderes condenaram sanções econômicas unilaterais e secundárias não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, sem citar diretamente os Estados Unidos ou Donald Trump.

Líderes do Brics pedem reforma em instituições financeiras globais

Os países membros do Brics reiteraram a necessidade de reformas na governança do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e da OMC. O objetivo é ampliar a participação de países em desenvolvimento nas instituições que definem as regras da economia global. A cúpula, que celebrou os 20 anos do Brics, também fortaleceu a integração de sistemas nacionais de pagamentos.

Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) terá mais recursos em moedas locais

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como banco do Brics, terá sua capacidade de mobilizar recursos ampliada. Os líderes pediram que o banco diversifique suas fontes de financiamento e aumente a oferta de crédito em moedas locais. O foco será em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, fortalecendo a capacidade dos países emergentes de financiar investimentos sem depender exclusivamente de organismos multilaterais tradicionais.

A instituição é vista como uma das principais ferramentas do grupo para a expansão econômica. Os líderes também apoiaram o aumento da base de membros do banco e deram continuidade às discussões para a criação de uma plataforma de investimentos. A inteligência artificial foi incluída na agenda econômica, vista como um potencial para estimular o crescimento e o desenvolvimento sustentável, com defesa da cooperação internacional para ampliar o acesso a recursos de IA, garantindo segurança e confiabilidade.

Moeda comum do Brics não é prioridade, foco é em pagamentos mais eficientes

A agenda econômica da cúpula, no entanto, se manteve distante de uma ruptura com o sistema financeiro internacional. Os líderes reconheceram os esforços da força-tarefa de pagamentos do Brics para aumentar a interoperabilidade entre os canais de pagamento e sistemas de mensagens financeiras dos países membros. A proposta visa tornar as transações transfronteiriças mais rápidas, baratas e eficientes.

O texto registra as discussões para ampliar o uso de moedas locais na liquidação de comércio e investimentos, mas ressalva que a adoção dependerá das prioridades nacionais de cada integrante, não havendo uma solução única. A ideia de uma moeda comum do Brics, que chegou a ser cogitada como um símbolo de ruptura com a predominância do dólar, não foi uma decisão da cúpula. O bloco optou por uma estratégia de ampliar gradualmente as alternativas ao uso de moedas e estruturas financeiras dominadas pelas economias desenvolvidas, sem romper com o sistema atual.

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