Mercado de Loteamento Sente o Impacto da Economia e Vê Queda em Lançamentos e Vendas
O mercado de loteamento no Brasil registrou uma queda expressiva de 14% nos lançamentos durante o primeiro semestre de 2024, totalizando 48,7 mil unidades. As vendas acompanharam a tendência de retração, diminuindo 11% e alcançando 64,7 mil unidades comercializadas.
Em termos de valor, os lançamentos sofreram uma retração de 20%, somando R$ 12,74 bilhões, enquanto as vendas totalizaram R$ 16,9 bilhões, também com uma queda de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esses dados foram divulgados pela Brain Inteligência Estratégica, em um levantamento encomendado pela Aelo e noticiado pelo Valor.
O cenário desafiador é atribuído a uma combinação de fatores econômicos e estruturais que impactam diretamente as loteadoras e os consumidores. Conforme informação divulgada pelo Valor, a escassez de mão de obra, a incerteza política e o cenário de juros elevados são apontados como os principais responsáveis pela retração do setor.
Juros Elevados e Financiamento Direto Pressionam Loteadoras
Hamilton Leite, diretor da Brain para o Estado de São Paulo, explica que as loteadoras enfrentam dificuldades adicionais por financiarem diretamente a compra dos lotes e arcarem com os custos de urbanização. Diferentemente de outros empreendimentos imobiliários, elas não têm acesso facilitado aos recursos mais baratos do FGTS, que são direcionados a projetos do programa Minha Casa, Minha Vida.
Embora a associação entre a compra de um lote e a construção de uma casa permita o uso do financiamento do programa habitacional, essa modalidade ainda é incipiente no mercado. Caio Portugal, presidente da Aelo, destaca que a associação busca atrair bancos privados para expandir esse modelo, especialmente no segmento de médio padrão, visando impulsionar as vendas e mitigar os efeitos da retração.
Aumento nos Distratos e Redução do Estoque Acendem Sinal de Alerta
Um dos indicadores mais preocupantes para o setor é o aumento na taxa de distratos, que normalmente se mantém próxima a 10% das vendas. No período analisado, essa taxa saltou para uma faixa entre 12% e 15%, segundo dados da Aelo. O setor relaciona esse avanço ao crescente endividamento das famílias brasileiras e à insegurança jurídica relacionada à aplicação da Lei de Distratos.
Nos últimos 12 meses, encerrados em junho, foram lançados 122,4 mil lotes, o menor volume registrado desde 2023, representando uma queda anual de 11%. As vendas totalizaram 142,3 mil unidades, uma retração de 8%. O estoque disponível de lotes diminuiu 12%, chegando a 154,8 mil unidades, mas o prazo estimado para escoamento permaneceu estável em 14,6 meses, o que ainda indica um ciclo de vendas considerável.
Segmento de Luxo Mantém sua Força com Novos Projetos
Apesar do cenário geral de retração, o segmento de luxo demonstra resiliência e continua a atrair novos projetos. O preço médio do metro quadrado em bairros abertos apresentou uma alta anual de 2%, chegando a R$ 621. Já nos condomínios fechados, o avanço foi mais significativo, com um aumento de 15%, alcançando R$ 1.176 por metro quadrado.
A alta renda, menos exposta às flutuações do crédito imobiliário, tem sustentado o lançamento de projetos, incluindo residências de segunda moradia. Exemplos notáveis incluem o lançamento da primeira fase do Heritage Riviera, em Porto Feliz, pela Cyrela, com 29 lotes de alto padrão, e o Fazenda Santa Helena, em Bragança Paulista, pela JHSF, com 58 lotes a partir de 3 mil metros quadrados. A Aelo ressalta, contudo, que este é um nicho de mercado de baixo volume, mas de grande valor agregado.





