Distrito de Shinjuku, em Tóquio, discute novas regras para o Airbnb e outras plataformas de aluguel de curta duração, visando reduzir conflitos entre turistas e residentes. A proposta visa limitar a operação em áreas exclusivamente residenciais e próximas a instituições de ensino.
O vibrante distrito de Shinjuku, um dos mais movimentados de Tóquio, conhecido por sua intensa vida noturna e comercial, está na mira de uma nova regulamentação que pode impactar significativamente o mercado de aluguéis de curta duração, como o Airbnb. A iniciativa surge após um aumento expressivo nas reclamações de moradores locais sobre o comportamento de turistas, gerando atritos na convivência.
A proposta, que ainda passará por consulta pública e votação, prevê **restrições mais severas para os chamados ‘minpaku’**, nome dado no Japão a esse tipo de hospedagem. O objetivo é garantir a tranquilidade dos residentes e a ordem pública em áreas sensíveis, como bairros residenciais e proximidades de escolas, buscando um equilíbrio entre o desenvolvimento turístico e a qualidade de vida da comunidade.
Essas mudanças refletem uma preocupação crescente das autoridades japonesas com os efeitos do turismo em massa em destinos populares. Conforme informação divulgada pelo jornal britânico The Guardian, o Airbnb já manifestou interesse em colaborar com a prefeitura para encontrar as melhores soluções, demonstrando atenção às preocupações levantadas pelos moradores de Shinjuku.
Aumento de Reclamações e o Crescimento do ‘Minpaku’
No ano fiscal encerrado em março de 2026, Shinjuku registrou **1.334 reclamações** relacionadas a hospedagens de curta duração. Os problemas relatados pelos moradores incluem desde barulho excessivo e descarte inadequado de lixo até fumo em locais proibidos e invasões de propriedades privadas. Esses incidentes têm gerado um clima de insatisfação na comunidade local.
Paralelamente, o número de ‘minpaku’ em Shinjuku cresceu exponencialmente desde a regulamentação do modelo em 2018, que visava ampliar a oferta de acomodações para o turismo internacional. O distrito passou de pouco mais de 1,3 mil registros em 2022 para **quase 4 mil neste ano**, segundo dados da Agência de Turismo do Japão e da própria prefeitura. Isso representa cerca de 10% de todas as propriedades registradas no país.
O Que Muda nas Regras de Aluguel de Curta Duração
A prefeitura de Shinjuku pretende implementar a proibição de ‘minpaku’ em zonas **exclusivamente residenciais e em áreas próximas a escolas**. Essa medida afetaria tanto as propriedades já em operação nessas localidades quanto a abertura de novas hospedagens. A intenção é proteger a privacidade e a segurança dos moradores dessas áreas.
Outra alteração em discussão é a redução do período máximo de funcionamento desses imóveis. Atualmente, os ‘minpaku’ podem ser alugados por até 180 dias ao ano. Nas áreas residenciais, o limite proposto seria de **120 dias**, buscando diminuir o impacto constante do fluxo turístico na rotina dos vizinhos.
Impacto e Próximos Passos
A proposta surgiu após a constatação de que as medidas anteriores não foram suficientes para mitigar os problemas relatados. Mesmo com a revogação de licenças de operadores e imóveis por descumprimento das regras, o número de reclamações permaneceu elevado, indicando a necessidade de ações mais contundentes.
Embora a proposta não cite plataformas específicas, serviços como o Airbnb podem ser diretamente impactados pelas novas restrições. O distrito planeja abrir uma consulta pública em outubro deste ano para coletar a opinião da população. A proposta final deverá ser encaminhada à assembleia local em fevereiro de 2027, após a análise das contribuições recebidas.
Turismo em Ascensão no Japão e Desafios Locais
A discussão em Shinjuku ocorre em um cenário de forte expansão do turismo internacional no Japão. Em 2025, o país recebeu aproximadamente **42 milhões de visitantes estrangeiros**, um recorde histórico, com gastos que atingiram 9,5 trilhões de ienes (US$ 62 bilhões). O governo japonês tem a meta de alcançar 60 milhões de visitantes até 2030.
No entanto, esse crescimento traz consigo desafios, como a superlotação e os impactos na vida das comunidades locais. Em julho, o Ministério de Terras, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão reconheceu o direito dos municípios de limitar ou proibir hospedagens de curta duração em áreas onde a atividade cause transtornos aos moradores, abrindo caminho para iniciativas como a de Shinjuku.




