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Polilaminina: Testes em humanos para lesão medular iniciam este mês com esperança de recuperar movimentos

Esperança para pacientes com lesão medular: Testes clínicos da polilaminina começam em breve

A expectativa para pacientes com lesão na medula espinhal ganha força com o início dos testes clínicos de fase 1 da polilaminina. Este mês marca o começo de uma nova jornada para a substância, que tem o potencial de ajudar na recuperação de movimentos.

Desenvolvida em parceria pela farmacêutica Cristália e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina representa um avanço significativo na busca por tratamentos mais eficazes para as consequências de traumas medulares.

Os resultados iniciais em estudos anteriores geraram grande interesse, e agora a ciência busca comprovar, com rigor e segurança, os benefícios desta inovadora substância. Conforme divulgado pela farmacêutica Cristália, a primeira fase dos estudos clínicos com a polilaminina será iniciada no dia 24 deste mês.

Recrutamento e Critérios para Pacientes Voluntários

A fase inicial envolverá o recrutamento de cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos. O principal objetivo desta etapa é **comprovar a segurança da polilaminina em humanos**, garantindo que não haja riscos ou efeitos adversos superiores aos potenciais benefícios. A eficácia da substância será avaliada em fases posteriores do estudo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou os testes, estabelecendo critérios rigorosos para a seleção dos participantes. Todos os voluntários devem apresentar **lesão medular completa**, localizada entre as vértebras T2 e T10, resultado de um trauma recente, ocorrido há menos de 72 horas.

Além disso, os pacientes devem ter indicação médica para **cirurgia de descompressão medular**. Essa seleção criteriosa visa garantir que os testes sejam realizados nas condições mais adequadas para a obtenção de dados confiáveis.

O Processo de Aplicação e Acompanhamento dos Pacientes

Os voluntários selecionados serão atendidos em hospitais de referência em São Paulo, o Hospital das Clínicas e a Santa Casa de Misericórdia. As equipes cirúrgicas responsáveis pela aplicação da polilaminina são altamente treinadas para administrar a substância **diretamente na medula** durante o procedimento cirúrgico.

Após a cirurgia, os pacientes iniciarão um programa de reabilitação na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Durante seis meses, a equipe de pesquisa realizará um acompanhamento detalhado, monitorando a evolução e quaisquer reações à substância.

Entendendo a Polilaminina: Da Proteína Natural à Molécula Sintética

A polilaminina é uma substância criada em laboratório a partir da laminina, uma proteína fundamental presente no corpo humano. A descoberta e a pesquisa sobre o potencial da polilaminina são fruto de mais de 20 anos de dedicação da professora e pesquisadora da UFRJ, Tatiana Sampaio.

No sistema nervoso, a laminina desempenha um papel crucial na **movimentação dos axônios**, que são as partes dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. A hipótese é que a polilaminina possa **restaurar a conexão nervosa interrompida** em casos de lesão medular.

Estudos anteriores com resultados promissores em ratos levaram a um estudo-piloto entre 2016 e 2021. Nesta pesquisa, a substância foi aplicada em oito pessoas que também passaram por cirurgia de descompressão. Desses, três pacientes faleceram devido às lesões, mas os cinco restantes apresentaram algum ganho motor.

É importante ressaltar que, devido à natureza do estudo-piloto, não é possível afirmar com certeza que o ganho motor foi um resultado direto da polilaminina. Por isso, a realização de ensaios clínicos controlados, como o que se inicia agora, é essencial para **gerar evidências científicas robustas**.

Compromisso com a Ciência e Próximos Passos

O vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Cristália, Rogério Almeida, enfatizou o compromisso da empresa com a ciência e a regulamentação. “Trabalhamos em total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros envolvidos, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia”, declarou.

Ele acrescentou que o foco agora é conduzir o estudo clínico com a máxima qualidade e no menor prazo possível. Se a polilaminina for bem-sucedida na fase 1, a equipe poderá solicitar à Anvisa autorização para prosseguir com as fases 2 e 3.

Nessas etapas subsequentes, o número de participantes aumentará, permitindo uma avaliação mais aprofundada da **eficácia da polilaminina** e a comparação com os tratamentos atualmente disponíveis. Somente após a conclusão de todas as fases de testes é que o medicamento poderá ser registrado e disponibilizado para a população, representando um marco na medicina para o tratamento de lesões medulares.

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