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Trump Foca Ataques Pessoais em Mulheres Jornalistas, Revela Monitoramento da IWMF com Dados Alarmantes

IWMF Registra 33 Ataques Misóginos de Trump Contra Jornalistas, Maioria Mulheres

O presidente americano Donald Trump tem concentrado seus ataques pessoais contra jornalistas, com uma **clara predominância de mulheres** como alvo, aponta um monitoramento realizado pela International Women’s Media Foundation (IWMF). A organização, baseada em Washington, documenta o que classifica como discursos misóginos vindos de Trump e de membros de seu governo.

Desde 2015, a IWMF contabilizou 33 ocorrências de ataques direcionados a profissionais da imprensa. Um dado alarmante é que, destas, 17 aconteceram apenas em 2026, demonstrando uma escalada preocupante. Metade dos casos registrados pelo monitor teve como alvo mulheres não brancas, evidenciando um viés racial e de gênero nas hostilidades.

Conforme informação divulgada pela organização, os episódios variam desde respostas ríspidas em entrevistas até publicações em redes sociais com comentários sobre a aparência, inteligência ou comportamento das jornalistas. Essa prática, segundo a IWMF, visa não apenas atacar a profissional, mas também desviar o foco das perguntas feitas ao presidente.

Ataques que Vão Além da Reportagem

Os ataques registrados pela IWMF não se limitam a críticas sobre o conteúdo das reportagens ou a qualidade das perguntas. Em muitos casos, Trump recorre a insultos de cunho pessoal. Exemplos incluem chamar uma repórter de “pouco atraente por dentro e por fora” e “perseguidora”, questionar repetidamente por que outra jornalista “nunca sorri” e sugerir que uma terceira deveria ser punida por uma comissão reguladora.

A presidente da IWMF, Elisa Lees Muñoz, destaca a diferença na abordagem de Trump ao confrontar jornalistas homens e mulheres. Segundo ela, ao analisar episódios envolvendo homens, a organização encontrou apenas um punhado de ocasiões em que Trump usou ataques pessoais diretos, como “você é idiota”. “Esse tipo de linguagem pessoal é muito raro”, afirmou Muñoz.

Monitoramento Busca Evidenciar Padrão e Prevenir Normalização

A IWMF iniciou o monitoramento ao perceber que muitos ataques contra mulheres jornalistas envolviam comentários sobre sua aparência e inteligência, indo além de críticas profissionais. Muñoz considera que os insultos são uma estratégia para tirar o foco da pergunta, utilizando “estereótipos misóginos”.

A organização decidiu criar o monitor “On The Record” para evidenciar esse padrão, pois os episódios, quando noticiados isoladamente, não mostravam a gravidade e a repetição do comportamento. A IWMF também passou a registrar a pergunta feita imediatamente antes de cada ataque, ressaltando que “essas mulheres estão fazendo o trabalho delas”.

Consequências para Jornalistas e a Imprensa

A segunda etapa do projeto da IWMF se dedicará a estudar as consequências para as jornalistas que são alvo de ataques públicos. Pesquisas anteriores da organização já indicam um aumento do assédio online após tais incidentes. Há relatos de autocensura, redução da presença em redes sociais e adoção de medidas extras de segurança.

Muñoz alerta para as sérias implicações desses ataques, não apenas para as jornalistas individualmente, mas também para a representatividade na imprensa e para a qualidade da informação. Ela expressa preocupação com a normalização desse comportamento, que pode ser descartado como “é só o Trump sendo Trump”.

“Parte da razão pela qual estamos fazendo isso é justamente para não normalizar esse comportamento e mostrar o quanto ele pode ser prejudicial”, concluiu a presidente da IWMF, enfatizando a importância de combater essa tendência para proteger o jornalismo e as profissionais que o exercem.

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