EUA Ampliam Escrutínio Online para Vistos, Incluindo Jornalistas
A partir desta quinta-feira, 1º de outubro, os Estados Unidos implementam uma nova exigência para solicitantes de vistos, que inclui a obrigatoriedade de manter perfis em redes sociais abertos ou públicos. A medida visa aprofundar a análise de segurança nacional, impactando diretamente jornalistas estrangeiros que buscam autorização para trabalhar no país.
A orientação, divulgada pelo Departamento de Estado em 18 de setembro, abrange especificamente os vistos de categoria I, destinados a representantes de veículos de comunicação estrangeiros, além dos vistos TN e TD, concedidos a profissionais específicos do Canadá e do México com base no acordo comercial USMCA, e seus dependentes. A decisão reforça a política americana de verificar a presença online de candidatos.
Segundo o governo americano, a configuração de perfis como “públicos” ou “abertos” em redes sociais é essencial para facilitar a verificação de identidade e determinar a admissibilidade dos solicitantes nos EUA. O consulado americano em São Paulo, em publicação no dia 29 de setembro, reiterou que “cada decisão sobre um visto é uma decisão de segurança nacional”, sublinhando a importância da medida.
Análise Abrangente da Presença Online
O Departamento de Estado justifica a ampliação da análise de redes sociais como um meio de identificar indivíduos que possam representar ameaças à segurança nacional ou pública. A pasta afirma utilizar “todas as fontes de informação disponíveis” para garantir que os candidatos cumpram os requisitos do visto e as condições de entrada no país. Esta política já se estendia a outras categorias de visto, como estudantes, participantes de intercâmbio e trabalhadores temporários.
A exigência de informar o histórico de redes sociais já existia para solicitantes de vistos de imigrante e não imigrante, que precisavam declarar os nomes de usuário utilizados nos cinco anos anteriores. A nova regra, no entanto, eleva o nível de escrutínio ao exigir que os perfis sejam acessíveis publicamente, sem restrições de visualização.
Histórico de Intensificação do Controle
Essa mudança não é inédita. Em junho de 2025, durante o governo Trump, houve uma retomada nos agendamentos de vistos para estudantes e intercâmbio, acompanhada por uma intensificação na análise de redes sociais. Na ocasião, funcionários consulares foram orientados a considerar a restrição de visualização de perfis como uma possível tentativa de ocultar atividades.
Naquele período, o Departamento de Estado instruiu seus funcionários a realizarem uma análise “abrangente e minuciosa” da presença online dos candidatos, buscando manifestações de hostilidade contra cidadãos, cultura, governo, instituições ou princípios fundamentais dos EUA. A investigação não se limitava às redes sociais, mas se estendia a mecanismos de busca e outros recursos da internet. Em dezembro do mesmo ano, o governo Trump tornou obrigatório o fornecimento de histórico de cinco anos de redes sociais para cidadãos de países isentos de visto para os EUA, afetando viajantes de 42 nações.





