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Flávio Bolsonaro mira reforma no Itamaraty inspirada em modelo Trump, dizem aliados de Eduardo

Plano de Flávio Bolsonaro para o Itamaraty: Modelo Trump com foco em metas e países prioritários

Se eleito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estuda a implementação de uma reforma no Itamaraty inspirada em modelos do governo Donald Trump nos Estados Unidos. A ideia, conforme detalhado por Marcos Degaut, assessor de Eduardo Bolsonaro em política externa, é reestruturar carreiras diplomáticas com foco em resultados e prioridades nacionais.

Degaut tem apresentado a proposta em reuniões fechadas com diplomatas e formuladores de política externa, descrevendo o que chama de “Marco Rubio overhaul” (reforma do Marco Rubio). O objetivo é direcionar os diplomatas para regiões e temas específicos, com a obrigação de cumprir metas de exportação, investimentos e inserção comercial.

A reforma também visa alterar o sistema de promoções no Itamaraty, uma fonte de insatisfação para muitos profissionais da carreira diplomática. As informações foram divulgadas pela Folha, que conversou com cinco pessoas que participaram desses encontros com Degaut. Essa proposta de reforma no Itamaraty, caso se concretize, marcaria uma mudança significativa na diplomacia brasileira.

Foco em “G35” e “super embaixadas” para otimizar recursos

Um dos pilares da proposta é a concentração da política externa em um grupo de 35 países considerados prioritários, denominados “G35”. Esta lista incluiria as nações que já integram o G20. A ideia é otimizar o uso de recursos, concentrando dotações orçamentárias e de pessoal em algumas embaixadas estratégicas, que seriam “superpostas”, em vez de dispersar a atuação por inúmeros postos.

Na prática, isso significaria ter embaixadas com maior capacidade de ação e investimento em locais-chave. Por exemplo, na África, países como África do Sul e Egito poderiam servir como centros de operações regionais, concentrando a atuação diplomática brasileira nessas áreas.

Equilíbrio entre EUA, China e realismo propositivo

Apesar da inspiração no modelo americano, Degaut tem ressaltado que o plano não prevê um alinhamento automático com os Estados Unidos. Ele defende a manutenção dos laços econômicos com a China, mas enfatiza a necessidade de intensificar as relações com Washington, especialmente em acordos comerciais e na área de minerais críticos.

A meta seria reduzir a dependência brasileira da China para a exportação de commodities, buscando um equilíbrio nas relações internacionais. Os Emirados Árabes Unidos são citados como um modelo a ser seguido, com a adoção de uma postura de “realismo propositivo” na condução da política externa.

Reforma do sistema de promoções e críticas à lentidão da carreira

A reforma do sistema de promoções no Itamaraty é um ponto central da proposta. Degaut indicou que a senioridade não seria mais o critério absoluto para ascensão na carreira. Em vez disso, a avaliação do cumprimento das funções e o mérito seriam levados em conta. Essa mudança visa combater a insatisfação generalizada com a lentidão das promoções e a falta de perspectivas claras para os diplomatas.

Atualmente, há diplomatas com mais de dez anos sem promoções, o que gera descontentamento. A Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros aponta o “imobilismo dentro da carreira” como um problema sério, com “gargalos artificiais” que afetam a motivação de diferentes gerações de diplomatas. O Itamaraty, por sua vez, informou que houve um número significativo de promoções nos governos anteriores e no atual.

Possíveis nomes para o comando do Itamaraty

Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro surge como um nome forte para o comando do Itamaraty, embora a campanha afirme que nem ele nem Degaut falem oficialmente pelo candidato. Uma alternativa em discussão seria Eduardo assumir a Embaixada do Brasil em Washington.

Outros nomes considerados para chefiar o Itamaraty incluem Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da OMC, e a senadora Tereza Cristina. Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do Brics, também é mencionado. Degaut poderia ocupar uma posição no Ministério da Defesa ou no próprio Itamaraty.

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