Rashid critica afastamento dos pilares do Hip Hop e relembra traumas de cancelamentos no Lollapalooza
O rapper Rashid, conhecido por sua lírica afiada e reflexões profundas, expressou preocupação com a atual cena do rap nacional. Em entrevista ao g1, ele analisou o cenário e apontou um distanciamento dos valores que fundamentaram o movimento Hip Hop.
Para o artista, esse afastamento pode significar um caminho para o esquecimento. Ele ressaltou a importância da preservação da memória dentro do Hip Hop, conectando-a à mensagem e ao território, e à constante referência aos pioneiros.
As falas de Rashid foram divulgadas em entrevista ao programa g1 Ouviu, onde ele também compartilhou experiências pessoais e profissionais marcantes. As declarações do rapper abordam desde suas influências musicais até os desafios enfrentados em sua trajetória.
A importância da memória e os pilares do Hip Hop
Rashid, aos 38 anos, destacou que a **memória é intrinsecamente ligada à mensagem e ao território do Hip Hop**. “A gente está sempre falando dos que vieram antes”, afirmou, sublinhando a necessidade de honrar as raízes do movimento para que ele não se perca no tempo.
O rapper, que também é compositor e roteirista, mencionou diversas referências em sua arte, mas fez um destaque especial para Milton Nascimento, a quem considera uma grande inspiração. A conexão com o cantor se intensificou após descobrir que sua avó materna o conheceu, transformando admiração em “fanatismo”.
A dualidade de sua adolescência, dividida entre a **periferia urbana de São Paulo e o interior de Minas Gerais**, também foi tema na conversa. Rashid descreveu as diferentes formas de pobreza vivenciadas em cada local, moldando sua visão de mundo e sua arte.
O trauma dos cancelamentos e a redenção no Lollapalooza
Um dos momentos mais tensos da carreira de Rashid foram os **dois cancelamentos de seus shows no Lollapalooza**, ambos por questões climáticas. O rapper confessou o receio de que uma terceira ocorrência o tornasse uma “piada eterna”.
“Se nossa indústria fosse minimamente imagética, já teria sido suficiente para me colocar na gaveta”, relatou, evidenciando o peso psicológico dos incidentes. Ele admitiu que quase recusou o convite para se apresentar novamente no festival.
Contudo, após o apoio de uma amiga, Rashid retornou ao Lollapalooza em 2023 e viveu um momento de catarse. “Quando subo no palco e vejo aquele público, penso: nenhum daqueles anos teria sido assim, tão cheio”, descreveu, comparando a sensação à vitória do Brasil em uma Copa do Mundo.
O início da carreira e a busca pela atenção do público
O artista também revisitou os primórdios de sua carreira, quando divulgava suas músicas pelo MySpace. Naquela época, a disputa pela atenção do público era um grande desafio.
“Você tem a possibilidade de chegar até o lugar de colocar sua música na mesa. A questão é como você vai fazer a pessoa escolher sua música na mesa”, explicou. O sentimento de alcançar 5 mil plays era comparado a um “Grammy”, um marco significativo em sua jornada.
Rashid comparou a divulgação musical da época a “colocar uma carta na garrafa e jogar no mar”, contrastando com o conhecimento atual de sua base de fãs. Naquele tempo, tudo se resumia a acreditar muito na música e na força das ruas.




