Governo do Iêmen lança grande ofensiva militar contra rebeldes Houthis, em meio a acusações de ataques sauditas.
O líder do governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, anunciou neste domingo (4) o início de uma ampla operação militar com o objetivo de retomar territórios controlados pelos rebeldes Houthis, que têm apoio do Irã. A declaração marca uma potencial intensificação do conflito que assola o país há anos.
“Hoje, anuncio o início de operações militares para retomar o território restante da República e estender a autoridade do Estado e de suas instituições por todo o território nacional”, disse o presidente iemenita, Rashad al-Alimi, em um pronunciamento televisionado. Os detalhes sobre o apoio internacional e a extensão exata da nova ofensiva, no entanto, ainda não foram divulgados.
Momentos após o anúncio do governo iemenita, os Houthis reivindicaram o lançamento de mísseis balísticos e drones contra instalações da petrolífera Saudi Aramco, em Riad e na região de Khurais. Segundo o grupo, os ataques teriam provocado grandes incêndios, e foram uma resposta a cerca de 50 ataques aéreos e com mísseis realizados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen nas últimas 12 horas. A monarquia saudita não confirmou a informação imediatamente.
Combates se intensificam e acusações de ataques mútuos marcam o domingo
Ainda na madrugada de domingo, as Forças Armadas do Iêmen, alinhadas ao governo reconhecido internacionalmente, já haviam informado que estavam realizando ataques contra os Houthis na capital Sanaa e na região de Saada, um reduto do grupo rebelde. Um porta-voz das forças governamentais declarou que as tropas visavam “alvos vitais”, sem fornecer mais detalhes.
A emissora Al Masirah, controlada pelos Houthis, noticiou anteriormente um ataque em Sanaa que teria sido realizado pela Arábia Saudita, mas não houve confirmação imediata por parte da Arábia Saudita sobre esse relato. A situação demonstra a complexidade e a escalada das hostilidades na região.
Trégua de 2022 é posta à prova em meio a nova onda de conflitos
O conflito entre os Houthis, apoiados pelo Irã, e as forças alinhadas ao governo apoiado pela Arábia Saudita havia experimentado uma trégua significativa em 2022. No entanto, os combates recomeçaram como um desdobramento da guerra mais ampla entre o Irã e os Estados Unidos, segundo análises. As hostilidades foram retomadas com mais força este ano.
Em julho, os Houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita e iniciaram ataques contra o território e embarcações sauditas. Simultaneamente, as forças houthis obtiveram ganhos territoriais significativos ao longo da costa do Mar Vermelho no Iêmen. A Arábia Saudita respondeu com ataques aéreos no Iêmen e ofereceu apoio às forças governamentais na luta para expulsar os rebeldes do país, reacendendo a grave crise humanitária.
Contexto da guerra civil e o impacto na população iemenita
A guerra civil no Iêmen, que se intensificou em 2014, já causou uma das piores crises humanitárias do mundo. Milhões de pessoas foram deslocadas e o país enfrenta fome e doenças. A retomada das ofensivas militares e os ataques a instalações estratégicas, como as da Saudi Aramco, aumentam a preocupação com a segurança regional e o bem-estar da população civil, que já sofre intensamente com os anos de conflito. A comunidade internacional acompanha atentamente os desdobramentos.





