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Ney Matogrosso: “Travado Emocionalmente” em Documentário Revelador sobre Bastidores e Vida Pessoal

Ney Matogrosso se desnuda em “Ney por trás das máscaras”, mas a alma permanece reservada em nova obra cinematográfica.

O aclamado artista Ney Matogrosso abre novas frentes de sua intimidade no documentário “Ney por trás das máscaras”, dirigido por Esmir Filho. O filme, que teve sua estreia mundial como hors concours na mostra Première Brasil do Festival do Rio 2026, mergulha nos bastidores da preparação para o desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, que homenageou o cantor em 2026 com o enredo “Camaleônico”.

A obra promete um olhar profundo sobre a figura icônica, explorando a complexidade de sua personalidade. Ney Matogrosso aparece em momentos de aparente vulnerabilidade, compartilhando suas reflexões sobre a dificuldade em expressar emoções. “Eu sou travado nessa questão emocional. Eu me seguro firme”, confessa o artista, uma declaração que ecoa a proposta do longa em desvendar as camadas por trás de sua persona pública.

A produção, codirigida por Thais Guisasola, acompanha Ney em diversos cenários, desde o cotidiano em sua fazenda até os intensos momentos nos barracões e camarins. A narrativa, no entanto, busca ir além do universo do Carnaval, explorando também a relação do cantor com a natureza e sua mãe, Beita de Souza Pereira, falecida em março deste ano aos 103 anos. A informação é baseada no que foi divulgado sobre o documentário.

A dualidade entre o público e o privado

Em “Ney por trás das máscaras”, o cineasta Esmir Filho, que já explorou a vida de Matogrosso em “Homem com H”, busca retratar um Ney mais pessoal. O artista surge em momentos descontraídos, como durante o café da manhã em casa ou interagindo com os membros da Imperatriz Leopoldinense. Uma cena de nudez frontal, onde Ney se seca após o banho, exemplifica a proposta de “tirar as máscaras” e as fantasias que o cercam.

Apesar da exposição corporal, o documentário sugere que a “trava emocional” de Ney Matogrosso permanece. Ele se mostra sem filtros em alguns aspectos, mas a alma parece guardada, confirmando a sensação de que “Ney desnuda o corpo, mas não a alma”. O discurso libertário e a ousadia, marcas registradas do artista, estão presentes, mas a vulnerabilidade genuína, segundo a crítica, não atinge seu auge.

Expansão de foco e comparações com obras anteriores

A crítica aponta que o foco do documentário poderia ter sido mais coeso se mantido estritamente nos bastidores do desfile da Imperatriz. A inclusão de cenas na fazenda de Ney Matogrosso, um refúgio de 140 hectares em Saquarema (RJ), onde ele realiza a soltura de animais silvestres, como uma jiboia, expande o escopo da obra. Essa liberdade em relação à natureza contrasta com a dificuldade em se soltar emocionalmente.

O filme também retrata Ney no camarim do Estádio Paulo Machado de Carvalho, antes de uma apresentação da turnê “Bloco na Rua”. No entanto, essa parte da narrativa gera comparações com o documentário “Olho Nu” (2014), de Joel Pizzini, que já explorou intimamente o artista em contextos semelhantes. A sensação é que “Ney por trás das máscaras” pode ter perdido a oportunidade de apresentar um material totalmente original nesse quesito.

Conexões familiares e a sensação de “travamento”

Um diferencial do longa é a exploração da relação de Ney Matogrosso com sua mãe, Beita de Souza Pereira. Essa abordagem familiar adiciona uma camada afetiva à obra, buscando humanizar ainda mais o artista. A interação com as costureiras das fantasias da Imperatriz, onde Ney demonstra simplicidade e ausência de estrelismo, também são pontos destacados pela crítica.

Apesar de todos esses elementos, a sensação predominante é que o documentário, assim como o próprio Ney, “fica travado”. A falta de uma entrega emocional completa por parte do artista diante das câmeras impede que “Ney por trás das máscaras” atinja uma apoteose, mantendo o espectador com a expectativa de um mergulho ainda mais profundo. A nota atribuída ao filme foi de ★★★.

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