Ataque russo com bomba em Kramatorsk mata 33 civis, autoridades ucranianas classificam como ofensiva deliberada contra civis.
Um ataque russo com bombas na cidade de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, próximo à linha de frente, resultou na morte de pelo menos 33 pessoas nesta quinta-feira (8). Outras 18 pessoas ficaram feridas na ação, que as lideranças ucranianas classificaram como uma ofensiva deliberada contra civis em um importante reduto cobiçado por Moscou.
Segundo a polícia, dois ônibus urbanos com passageiros circulavam na rua atingida no momento do bombardeio. O presidente Volodimir Zelensky afirmou que o local era um ponto de ônibus. Imagens divulgadas pela polícia mostram corpos espalhados em uma via coberta de destroços e a carcaça carbonizada do que parece ser um ônibus.
“Para eles [os russos], um ônibus com passageiros é um alvo atraente justamente porque um único ataque pode matar o maior número possível de pessoas”, disse o governador regional, Vadym Filashkin, no Telegram. A Polícia Nacional da Ucrânia afirmou que a Rússia atingiu os ônibus com uma bomba planadora. Moscou não se pronunciou sobre o incidente.
Kramatorsk, um alvo estratégico na região de Donetsk
Kramatorsk é uma das principais cidades que a Rússia ainda não capturou na região oriental de Donetsk, área reivindicada por Moscou como parte de seu território. A cidade tem sido um centro logístico e de abastecimento crucial para as Forças Armadas ucranianas durante grande parte da guerra. Ela integra o chamado “cinturão de fortalezas”, que as tropas ucranianas lutam para manter sob controle.
As forças russas intensificaram os ataques com drones e bombas guiadas contra Kramatorsk e outras cidades do cinturão. A Rússia exige que a Ucrânia ceda o restante da região ainda sob seu controle para que os combates sejam interrompidos, uma exigência que Kiev se recusa a atender. As forças russas avançaram até perto da zona leste da cidade, e as autoridades locais pediram aos civis que ainda permanecem no local que se mudem para regiões mais seguras da Ucrânia.
Transporte público suspenso e ataques em Kiev
Diante da escalada de ataques, o governador da região de Donetsk ordenou que as autoridades municipais de Kramatorsk e Sloviansk suspendessem o transporte público. “Não temos o direito de arriscar” a vida dos cidadãos, afirmou o governador. Também nesta quinta-feira, três pessoas morreram e 14 ficaram feridas em ataques com drones contra a capital, Kiev, durante a manhã, informou o prefeito Vitali Klitschko. Os ataques ocorrem um dia após uma grande ofensiva aérea russa em várias partes da Ucrânia, que teve como principal alvo a rede elétrica do país e deixou 28 mortos.
Rússia mira infraestrutura digital ucraniana e Yandex na mira
Em um desenvolvimento paralelo, drones atingiram nesta quinta-feira um data center pertencente à Yandex, a principal empresa de inteligência artificial e tecnologia da Rússia. Este é o primeiro grande ataque contra um centro de dados russo desde o início da guerra. A Yandex informou que o ataque em Sasovo, um de seus cinco grandes data centers, provocou um incêndio e forçou a empresa a suspender as operações no local, que abriga dezenas de milhares de servidores.
A empresa, frequentemente chamada de “Google da Rússia”, disse que seus principais serviços voltados ao consumidor não foram afetados, mas não detalhou a extensão dos danos. A Yandex, que opera o YandexGPT, um dos principais modelos de IA da Rússia, tem visto seus ataques mútios se espalharem pela economia. No último mês, a Rússia realizou uma campanha contra data centers e a infraestrutura de telecomunicações da Ucrânia, forçando alguns centros a suspender operações e deixando 100 mil residências temporariamente sem internet após um ataque.
O ministro digital da Ucrânia informou no mês passado que o país está transferindo sua infraestrutura digital para instalações subterrâneas em resposta aos ataques. Negociadores ucranianos visitarão os Estados Unidos para negociações, conforme afirmou Zelensky, que pediu ao presidente Donald Trump que aumente a pressão sobre a Rússia.





