Israel reage com veemência à entrega do Nobel da Paz a jurista da ONU que acusou o país de genocídio
O governo de Binyamin Netanyahu, em declaração contundente nesta sexta-feira (9), criticou a concessão do Prêmio Nobel da Paz à jurista sul-africana Navi Pillay. A decisão, segundo Israel, **legitima o “ódio contra Israel”**, e o Ministério das Relações Exteriores chegou a afirmar que Joseph Goebbels, o ministro de propaganda nazista de Adolf Hitler, estaria “aplaudindo do inferno” a escolha.
Pillay liderou uma comissão da ONU que, no ano passado, concluiu que Israel havia cometido **genocídio contra os palestinos** em sua ofensiva em Gaza. Tel Aviv nega veementemente as acusações e, na época, classificou o relatório como “escandaloso”, intensificando as tensões diplomáticas em torno da premiação.
A declaração do Ministério das Relações Exteriores de Israel, publicada no X (antigo Twitter), foi clara: “Agora que o Comitê Nobel premiou a maior mentira do século 21, Joseph Goebbels sem dúvida estará aplaudindo do inferno”. A pasta reiterou que a entrega do prêmio **”legitima o ódio anti-Israel”**, demonstrando a profunda insatisfação do governo israelense com a decisão.
Reações Internacionais Divididas à Premiação
Em contrapartida à forte reação de Israel, a escolha de Navi Pillay foi amplamente celebrada por importantes órgãos internacionais. As Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional, onde Pillay atuou por muitos anos, expressaram apoio à jurista.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, parabenizou Pillay pela distinção, classificando a escolha como uma **”homenagem à coragem, à integridade e ao compromisso de toda uma vida com a justiça”**. A declaração sul-africana ressalta o reconhecimento internacional da trajetória da jurista em defesa dos direitos humanos.
ONU e Corte Penal celebram “vitória para os direitos humanos”
O chefe do Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o prêmio representa uma **vitória coletiva para os direitos humanos** e para todos aqueles que buscam justiça e responsabilização. Türk, que trabalhou de perto com Pillay durante seu mandato como Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos (2008-2014), descreveu a premiada como “a personificação do direito internacional”.
Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, também comemorou a decisão. A advogada italiana, declarada persona non grata por Israel, tem sido uma voz crítica à campanha militar israelense e vê o Nobel como um reconhecimento importante.
Tribunal Penal Internacional destaca “pilar de uma paz duradoura”
O Tribunal Penal Internacional (TPI), onde Pillay atuou como juíza, também manifestou sua satisfação. Para a presidente da corte, Tomoko Akane, o Nobel é um **reconhecimento vital do papel da justiça internacional** como pilar para uma paz duradoura. Akane enfatizou o significado especial da premiação em um momento de desafios à ordem jurídica internacional e ao Estado de Direito.





