Etiópia em Alerta: Nova Guerra Civil Ameaça o Chifre da África e Envolve Potências Regionais
O segundo país mais populoso da África, a Etiópia, está novamente à beira de um conflito devastador. As forças armadas etíopes e as autoridades da região de Tigrê, no norte do país, retomaram as hostilidades, reacendendo o espectro de uma guerra civil que já causou centenas de milhares de mortos e inúmeras atrocidades em um conflito anterior de dois anos. O alarme internacional soa diante da possibilidade de a crise se alastrar e arrastar países vizinhos do Chifre da África e do Golfo Pérsico para a instabilidade.
A nova onda de combates intensifica-se após meses de ataques de drones, confrontos localizados e uma retórica política acirrada. A Frente de Libertação do Povo do Tigrê (FLPT), que já havia retomado o controle político da região, anunciou operações defensivas em resposta a ataques federais, enquanto o exército e milícias aliadas avançam em direção à capital regional, Mekelle. Especialistas apontam para o objetivo estratégico de interromper a rodovia vital que liga a Etiópia a Djibuti, crucial para o comércio do país sem saída para o mar.
A complexa teia de alianças e rivalidades regionais adiciona camadas de preocupação. A Eritreia, que lutou ao lado do governo etíope na guerra anterior, agora se vê em um impasse com Adis Abeba, com ambos os países fechando embaixadas e expulsando diplomatas. Aliados da Eritreia, como Egito e as Forças Armadas Sudanesas, e parceiros da Etiópia, como os Emirados Árabes Unidos, adicionam novos elementos a um cenário que pode fundir-se com conflitos existentes, como a guerra civil no Sudão, alertam analistas. A comunidade internacional, incluindo o Papa e senadores americanos, tem clamado por mediação, com o ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, liderando esforços pela União Africana, embora a confiança entre as partes mediadoras permaneça um desafio.
Quem Está Lutando e Quais São Seus Objetivos?
O conflito principal opõe a **Força de Defesa Nacional da Etiópia**, o exército do governo federal sediado em Adis Abeba, à **Frente de Libertação do Povo do Tigrê (FLPT)**, no norte. Recentemente, a FLPT formou a **Aliança pela Sobrevivência** com seis grupos armados opositores, visando derrubar o primeiro-ministro Abiy Ahmed e reformar a Constituição. Integrantes das regiões de Afar e Amhara se uniram à aliança rebelde, enquanto o governo federal conta com o apoio de uma facção dissidente de combatentes do Tigrê.
O Que Aconteceu Até Agora?
Os confrontos recentes sucedem meses de ataques de drones e embates pontuais. No primeiro semestre, a FLPT retomou o controle político de Tigrê. No fim de setembro, os rebeldes capturaram aeroportos na capital regional, Mekelle, e em Axum e Shire, alegando ações defensivas contra uma invasão federal com ataques de drones e artilharia. Atualmente, o exército e suas milícias avançam em direção a Mekelle, enquanto as milícias da Aliança pela Sobrevivência se movem para o sul e leste, em Amhara e Afar, respectivamente. Um objetivo estratégico da aliança é bloquear a rodovia que liga a Etiópia a Djibuti, rota comercial essencial para o país.
Países Envolvidos e Interesses Regionais
A **Eritreia** tem um papel complexo, tendo combatido ao lado do governo etíope na guerra anterior, mas agora em tensão com Adis Abeba por questões de acesso ao Mar Vermelho. Analistas não descartam o envolvimento direto das forças eritreias. Entre os aliados da Eritreia estão o **Egito**, que se opõe à construção de uma represa etíope no Nilo, as **Forças Armadas Sudanesas** e a **Arábia Saudita**. A Etiópia, por sua vez, mantém laços estreitos com os **Emirados Árabes Unidos**, que são acusados de apoiar grupos paramilitares no Sudão. Há um alerta de que um novo conflito na Etiópia pode se fundir com a guerra civil no Sudão, criando um cenário de disputa por influência entre potências estrangeiras.
Reação Internacional e Desafios da Mediação
Líderes globais, incluindo o Papa, pediram mediação, e senadores americanos solicitaram intervenção dos EUA. O ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, lidera uma iniciativa de mediação pela União Africana. Contudo, os líderes do Tigrê expressam desconfiança em relação à organização, sediada em Adis Abeba, alegando favorecimento ao governo federal. Essa desconfiança mútua dificulta a identificação de um mediador aceito por todas as partes, aumentando a complexidade da busca por uma solução pacífica para a guerra na Etiópia.





