Combates sem alma são o maior pecado da nova adaptação de Street Fighter, que estreia com elenco estelar, mas sem foco.
A aguardada nova adaptação em live-action de Street Fighter chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15), prometendo uma dose de nostalgia e ação. Dirigido por Kitao Sakurai, o filme investe em caracterizações visuais fiéis aos icônicos personagens dos jogos e não hesita em abraçar o tom cômico e até o ridículo do material original.
Apesar das boas intenções e de um elenco promissor, que inclui Noah Centineo como Ken, Andrew Koji como Ryu e Callina Liang como Chun-Li, o longa tropeça em pontos cruciais. O maior problema, apontado pelo g1, reside nas sequências de combate, descritas como fracas e sem alma, além de uma montagem excessivamente picotada que prejudica o ritmo.
Com participações de figuras como 50 Cent (Balrog), Orville Peck (Vega) e Cody Rhodes (Guile), o filme parece se perder em um mar de personagens clássicos. Essa profusão, introduzida sem o devido desenvolvimento, dilui o conflito central e deixa confrontos importantes de fora das telas, desperdiçando o potencial do elenco.
Galhofa e visual fiel não salvam o combate sem emoção
O filme se destaca por suas caracterizações visuais fiéis e pela coragem em abraçar a galhofa inerente à franquia Street Fighter. Contudo, essa abordagem, por si só, não é suficiente para resgatar a obra do seu maior pecado: combates sem empolgação. A ação, que deveria ser o ponto alto de um filme de luta, é prejudicada pela quantidade exagerada de personagens que aparecem na tela.
É uma pena, pois, como demonstra o clássico “Mortal Kombat” de 1995, não é necessário um grande orçamento para criar uma adaptação agradável. O novo Street Fighter apresenta lampejos de qualidade, como a química entre os protagonistas, toques de humor bem colocados, o uso criativo dos golpes especiais e a animação utilizada para narrar o passado dos personagens.
No entanto, a visão criativa parece sucumbir a uma enxurrada de lutadores desnecessários, inseridos na trama sem uma motivação clara. Mesmo com escalações inspiradas, a narrativa se fragmenta, impedindo que o espectador se conecte verdadeiramente com a história.
Trama diluída e elenco subutilizado
O roteiro, coescrito pelo diretor Kitao Sakurai, foca na relação entre dois lutadores de artes marciais e um torneio organizado por um ditador. No entanto, o foco é um dos elementos mais ausentes na trama. Para dar conta de tantos personagens, o filme precisa acomodar uma agente da Interpol em busca de vingança, a relação de um protagonista com seu agente, e a ameaça de um demônio misterioso.
A lista de personagens continua com um brutamontes russo, um lutador de sumô, um soldado americano com um corte de cabelo peculiar, o popular monstro verde e mulheres em trajes mínimos, um reflexo, segundo a crítica, da falta de evolução dos desenvolvedores japoneses desde os anos 90.
A inspiração em escalar nomes como o rapper 50 Cent como Balrog ou o cantor Orville Peck como Vega acaba se voltando contra a narrativa. Quanto mais interessante o intérprete, mais tempo de tela ele demanda, algo que o filme não consegue oferecer. Participações tão passageiras, como a de Zangief (Olivier Richters), chegam a gerar humor involuntário.
Potencial desperdiçado nas relações e nas lutas
É triste notar o potencial desperdiçado na relação entre Ryu (Andrew Koji) e Ken (Noah Centineo), e no carisma e dedicação física de Callina Liang como Chun-Li. O trio está ótimo em seus papéis, acentuando as diferenças entre os dois lutadores masculinos, que compartilham muitos golpes nos games. Havia material suficiente para uma história mais coesa ou, no mínimo, lutas bem coreografadas.
Contudo, sempre que a dupla demonstra alguma conexão ou Chun-Li inicia uma sequência de seus famosos chutes, a montagem abruptamente insere outra narrativa desnecessária, sem sequer mostrar outras lutas. Os cenários honram as fases clássicas, as roupas superam o cosplay, e até os golpes especiais funcionam de certa forma.
No entanto, Street Fighter, ao tentar incluir tantos lutadores, acaba por esquecer o mais importante: lutar. O filme, que estreia nesta quinta-feira (15), deixa a desejar nas sequências de ação, apesar de acertar no visual e no tom cômico, conforme aponta a análise do g1.




