New Yorker alerta sobre risco de derrota de Lula e ascensão da direita na América Latina, comparando cenário brasileiro ao de outros países e aos EUA de Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário político delicado, com projeções na revista americana New Yorker indicando uma possível derrota que poderia encerrar sua carreira política e alinhar o Brasil a uma onda conservadora que varre a América Latina.
A publicação destaca que as chances no segundo turno favorecem Flávio Bolsonaro, descrito como um político de direita radical. Essa perspectiva se baseia no resultado surpreendente do primeiro turno, onde Flávio superou Lula, e no histórico brasileiro de vitórias de candidatos que lideraram a primeira etapa da eleição desde 1989.
A análise, assinada pelo jornalista Ishaan Tharoor, ressalta que, mesmo com uma vitória apertada, Lula poderá governar um Brasil com um Congresso e estruturas federais dominadas pela direita, o que limitaria significativamente sua gestão. Conforme informação divulgada pela New Yorker, o Brasil estaria prestes a se juntar a uma lista crescente de países latino-americanos que se voltaram para a direita nos últimos dois anos, numa guinada ideológica que remete à visão do ex-presidente americano Donald Trump para o hemisfério.
O Legado de Lula sob Pressão e a Ascensão da Família Bolsonaro
A coluna, intitulada “A última dança de Lula”, faz um paralelo com a música “Under Pressure”, de David Bowie e Queen. O texto relembra as conquistas dos primeiros mandatos de Lula, como a redução do desmatamento na Amazônia, a liderança em questões climáticas e a projeção do Brasil no Sul Global, impulsionadas por gastos sociais em um ciclo de alta das commodities que tirou milhões da pobreza.
No entanto, a narrativa aborda a derrocada política de Lula após o impeachment de Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato, que resultou em sua prisão por 580 dias. Mesmo com a vitória em 2022 contra Jair Bolsonaro, o presidente não tem conseguido reverter a insatisfação de brasileiros afetados pelo alto custo de vida, preocupados com segurança e justiça, e pessimistas quanto ao futuro.
O governo de Jair Bolsonaro é descrito como o de um ex-militar que admirava a ditadura militar. Tharoor aponta que, durante sua presidência, Bolsonaro eliminou proteções ambientais, cortou verbas para universidades e habitação, e conduziu desastrosamente o enfrentamento da pandemia. O texto também menciona que Bolsonaro não aceitou a derrota em 2022, culminando nos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, onde apoiadores invadiram prédios públicos.
O Labirinto de Espelhos entre Brasil e Estados Unidos
A análise da New Yorker traça paralelos entre Brasil e Estados Unidos, descrevendo a relação como um “estranho labirinto de espelhos”, evidenciado pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília e a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 nos EUA. Ambas as democracias, segundo o colunista, viveram realidades compartilhadas em cronologias distintas.
O texto compara Jair Bolsonaro e Donald Trump como demagogos antissistema que promoveram nacionalismo divisivo, exploraram a apatia do eleitorado e conquistaram apoio de cristãos evangélicos. A publicação também compara Lula a Joe Biden, destacando que, enquanto Biden enfrentou críticas sobre sua capacidade mental e física, Lula tem demonstrado vigor em vídeos de exercícios nas redes sociais.
Apesar das diferenças individuais, a semelhança reside no fato de que ambos, veteranos de um status quo liberal, pareciam ser a escolha certa para impedir a ascensão de Bolsonaro e Trump. Contudo, nem Biden nem Lula conseguiram derrotar o trumpismo ou o bolsonarismo como movimentos. Assim como Biden, Lula constatou que um número desconcertante de compatriotas permaneceu indiferente aos apelos em defesa da democracia.
Flávio Bolsonaro: O Herdeiro com Planos Claros
Flávio Bolsonaro é apresentado como uma versão mais moderada de seu pai, mas com planos assertivos. O texto destaca que ele tem sido claro sobre seus objetivos de garantir a soltura de Jair Bolsonaro e de punir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que contribuíram para a condenação de seu pai.
A publicação da New Yorker sugere que a vitória de Flávio poderia consolidar a influência da direita no Brasil, refletindo uma tendência regional e global. A revista aponta que a eleição brasileira se tornou um ponto focal na luta entre projetos políticos divergentes na América Latina, com implicações significativas para o futuro da democracia na região.





