França se prepara para novos protestos sob forte esquema de segurança
A França se encontra em estado de alerta máximo neste sábado, com a expectativa de que milhares de pessoas retornem às ruas em manifestações. Este movimento ocorre uma semana após protestos que foram marcados por intensa violência, saques e incêndios, gerando um clima de caos em todo o país e resultando na detenção de ao menos 2.700 pessoas.
As autoridades francesas anunciaram um esquema de segurança sem precedentes para tentar evitar a repetição dos eventos do fim de semana anterior. A mobilização envolve um contingente de 70 mil militares em todo o território nacional. Essa força de segurança será complementada por veículos blindados, caminhões equipados com canhões de água, helicópteros e drones, numa operação coordenada para manter a ordem pública.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou na sexta-feira (23) que o governo agirá com inflexibilidade diante de possíveis novos atos de violência. Ele mencionou que há convocações nas redes sociais para novos distúrbios e saques, e que grupos de extrema esquerda estariam incentivando ações contra prédios públicos. Conforme informação divulgada pelo governo francês, a estratégia das forças de segurança foi ajustada com base na experiência dos confrontos anteriores, focando na distribuição e emprego dos agentes.
Aumento da Tensão e Mobilização de Forças
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ressaltou que o nível de ameaça no país permanece elevado. As autoridades estão atentas à atuação de grupos de extrema esquerda e de criminosos que podem se aproveitar dos protestos para cometer furtos. Lecornu afirmou que é preciso manter a vigilância contra a criminalidade, que se aproveita dos distúrbios para gerar mais confusão e roubar.
O esquema de segurança para este sábado é descrito como maciço. Inclui cerca de 20 veículos blindados da gendarmeria, 15 caminhões com canhões de água e unidades de elite das forças de segurança. O objetivo é proteger prédios públicos e locais considerados estratégicos. Policiais em formação, agentes de folga e unidades especializadas em drones também foram mobilizados, com apoio aéreo de helicópteros.
Restrições e Medidas Preventivas
O presidente Emmanuel Macron determinou a proibição de manifestações não convocadas por organizadores considerados legítimos pelas autoridades, como sindicatos. Responsáveis locais pela segurança têm o poder de vetar atos ou impor mudanças de trajeto por decreto. Em Paris e Marselha, manifestações organizadas por centrais sindicais foram autorizadas, mas em Lyon uma marcha foi proibida. A principal central estudantil, a Unef, e o movimento dos Coletes Amarelos tiveram seus pedidos de manifestação rejeitados na capital.
Toques de recolher noturnos continuam em vigor em áreas consideradas sensíveis. As autoridades também proibiram o transporte de artefatos pirotécnicos e combustíveis. Esses protestos ocorrem em um contexto de insatisfação com o custo de vida e a precariedade dos serviços públicos, reunindo trabalhadores, estudantes, sindicatos e os Coletes Amarelos, movimento que se tornou símbolo da revolta contra as políticas econômicas do governo.
Impacto no Comércio e Cultura
Diante do temor de novos confrontos, comerciantes em Paris buscam proteger suas vitrines com painéis de madeira. Alguns proprietários de estabelecimentos avaliam não abrir neste sábado, e entidades empresariais recomendam o fechamento das portas. Alain Di Crescenzo, presidente da Câmera de Comércio e Indústria da França, mencionou que comerciantes cogitaram o uso de armas para defesa, mas pediu que não recorram à violência.
Instituições culturais também anunciaram medidas preventivas. Museus como o Louvre, d’Orsay e Picasso, as duas sedes da Ópera de Paris, e as fundações Cartier e Louis Vuitton permanecerão fechados neste sábado. As autoridades temem confrontos em Orléans, onde ocorre o congresso anual do partido de ultradireita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, com grupos de esquerda anunciando mobilizações contra o evento.
Críticas e Pressão sobre o Governo
As autoridades atribuem parte da violência a grupos radicais e a pessoas que se aproveitam das manifestações para saquear. No entanto, o governo enfrenta críticas de organizações que defendem o direito de protestar e acusam as autoridades de restringir as mobilizações. O aumento da violência pressiona o governo de Macron, que busca conter a insatisfação social e avançar com medidas de ajuste fiscal, em um cenário que antecede a eleição presidencial, onde Marine Le Pen lidera pesquisas.





