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Corpos no Haiti: Soldados de El Salvador Desaparecidos Podem Ser os Encontrados em Missão de Combate às Gangues

Corpos Encontrados no Haiti Podem Ser de Soldados de El Salvador Desaparecidos em Missão Contra Gangues

Quatro corpos encontrados no Haiti neste sábado (24) podem pertencer a soldados de El Salvador que desapareceram após serem enviados ao país caribenho em uma missão internacional de combate às gangues. A descoberta levanta preocupações sobre a segurança da força-tarefa e a escalada da violência na região.

Os militares salvadorenhos faziam parte de uma unidade de helicópteros designada para a Força de Repressão às Gangues (GSF), uma iniciativa apoiada pelo Conselho de Segurança da ONU. Este seria o primeiro incidente fatal reportado pela força, que busca combater o crescente poder do crime organizado no Haiti.

A situação se agravou com o desaparecimento dos quatro soldados, que ocorreu poucos dias após o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ter enviado centenas de integrantes das forças especiais ao Haiti para tentar resgatá-los. Bukele havia ameaçado tomar medidas drásticas caso os homens não fossem devolvidos com vida, intensificando a tensão na já volátil região.

Descoberta dos Corpos Após Sete Dias de Busca

Os corpos foram localizados sete dias após os militares terem sido emboscados enquanto transitavam de carro por um reduto de gangues. Segundo Scott Reece, ex-funcionário de segurança do Departamento de Estado dos EUA e líder de uma organização humanitária contratada para o resgate, o grupo foi chamado para recolher os restos mortais na tarde de sábado.

A organização humanitária de Reece, o Hero Client Rescue, um serviço de ajuda médica financiado pelos Estados Unidos e sediado no Haiti, foi acionada para a delicada operação. Outra fonte próxima ao caso, que não pôde se pronunciar publicamente, informou que a Força de Repressão às Gangues manteve posse dos corpos, mas alertou que eles estavam gravemente queimados, exigindo autópsias para confirmação das identidades.

Os corpos foram recolhidos em um local não revelado nos arredores da capital, Porto Príncipe, e transportados para o aeroporto internacional. De lá, seriam entregues a uma equipe militar salvadorenha que chegou ao Haiti na sexta-feira, conforme relatado por Reece.

Contexto da Missão e a Violência no Haiti

Os salvadorenhos desaparecidos eram técnicos de aviação, responsáveis por transporte e evacuações médicas da Força de Repressão às Gangues. Suas funções eram de salvar vidas, e não de combate direto, como enfatizou o presidente Bukele em suas redes sociais.

A missão da GSF, que iniciou suas operações em abril após o fracasso de outras tentativas de conter a violência, tem enfrentado desafios. O contingente previsto de 5.500 integrantes ainda não foi atingido, contando atualmente com pouco mais de 2.000 militares de diversas nacionalidades, incluindo Jamaica, Chade, Mongólia, El Salvador, Sri Lanka e Guatemala.

As gangues têm espalhado o caos no Haiti há anos, controlando bairros inteiros e causando milhares de mortes. Mais de 1,5 milhão de pessoas já foram forçadas a abandonar suas casas devido à crise de segurança, tornando o país um dos mais perigosos do mundo.

Detalhes do Incidente e Gangues Envolvidas

O incidente ocorreu no último domingo (18), quando o utilitário esportivo blindado em que os salvadorenhos viajavam foi alvo de tiros na região de Croix-des-Bouquets, perto de Porto Príncipe. Eles foram forçados a abandonar o veículo, que mais tarde foi encontrado incendiado.

A imprensa local apontou as gangues Chen Mechan e 400 Mawozo, que atuam na periferia norte da capital, como responsáveis pelo ataque. Essas organizações criminosas são conhecidas por sua atuação violenta e controle territorial na região, considerada de alto risco e geralmente proibida para estrangeiros.

Um porta-voz da Força de Repressão às Gangues não pôde ser contatado para comentar o caso. Assessores de imprensa do presidente Bukele e das Forças Armadas salvadorenhas também não responderam a pedidos de comentário até o momento, mantendo a incerteza sobre os próximos passos e as investigações em andamento.

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