Steve Bannon, figura influente da direita americana, volta a semear dúvidas sobre a eleição brasileira, contrastando com a postura de Donald Trump. As declarações do ex-estrategista da Casa Branca geram polêmica ao classificar o governo Lula como “regime marxista” e insistir em fraudes, enquanto o ex-presidente dos EUA adota um tom mais ameno.
Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, afirmou à Folha que acredita que o presidente americano tentará pressionar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva até que o Brasil concorde em anular o resultado das eleições presidenciais de domingo (25). Ele alega que Flávio Bolsonaro foi o verdadeiro vencedor.
“Acredito que o presidente Trump vai agir para isolar o regime marxista de Lula até que ele concorde em anular essa eleição roubada”, disse Bannon, um dos principais ideólogos do movimento MAGA (Make America Great Again), à reportagem. Ele também declarou, sem apresentar provas, que Flávio Bolsonaro venceu e assumirá a Presidência.
As falas de Bannon contrastam com a postura do Partido Liberal (PL) de Flávio Bolsonaro, que reconheceu a vitória de Lula e recuou da intenção inicial de pedir a anulação da votação. O partido agora foca em organizar a oposição no Congresso.
Bannon insiste em fraude e prevê ações de Trump
Bannon adotou um discurso mais incisivo do que o próprio Donald Trump. Embora o ex-presidente americano tenha afirmado que as eleições brasileiras lhe pareceram fraudulentas, sem apresentar provas, ele também declarou gostar de Lula. “Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, disse Trump.
Questionado sobre a possibilidade de tomar alguma medida em relação ao processo eleitoral, Trump respondeu: “Eu governo os Estados Unidos, não o Brasil”. O republicano também criticou a prorrogação do horário de votação, considerando-a “muito estranha”. O governo americano, contudo, ainda não reconheceu formalmente a reeleição de Lula.
Mesmo com o recuo de Flávio Bolsonaro em contestar a validade da votação, Bannon insistiu na acusação de fraude. “O presidente Trump resumiu da melhor maneira: a eleição foi fraudada”, afirmou, sem apresentar evidências. Ele interpretou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro como uma ação de controle.
Flávio Bolsonaro foca em oposição e contesta chapa vencedora
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro declarou que pretende organizar a oposição ao governo petista no Congresso Nacional. A campanha do senador decidiu concentrar a contestação judicial em uma ação para tentar cassar a chapa de Lula por suposto abuso de poder econômico e político, em vez de pedir a anulação do pleito.
O resultado oficial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu a Lula 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos. A Folha mostrou que apenas 34,3 mil votos foram registrados após as 17h, o que representa 0,03% da diferença total.
PL reconhece vitória de Lula, mas pede esclarecimentos
Na noite de domingo, Flávio Bolsonaro havia anunciado que não reconheceria o resultado e pediria a anulação da eleição, questionando a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de ampliar o horário de votação em seções eleitorais. No entanto, nesta segunda-feira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu formalmente a vitória do petista, embora tenha pedido esclarecimentos sobre medidas adotadas durante a votação.
Bannon, que foi estrategista da campanha de Trump em 2016 e manteve influência sobre setores da direita americana, já havia defendido publicamente que Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, rompessem relações diplomáticas e comerciais com o Brasil. “Hoje o Brasil não tem um governo legítimo porque Lula roubou a eleição”, afirmou.
Trump se distancia e elogia Lula, mas levanta suspeitas sobre votação
As declarações de Bannon ocorrem em meio a incertezas sobre a postura que Donald Trump adotará em relação ao governo brasileiro após a reeleição de Lula. Trump mencionou que a prorrogação do horário de votação foi “muito estranha”, mas evitou fazer acusações diretas de fraude.
Apesar de Trump ter dito que gosta de Lula e se dá bem com ele, a falta de um reconhecimento formal da reeleição pelo governo americano levanta questionamentos. A posição oficial dos Estados Unidos sobre o resultado eleitoral brasileiro ainda não está totalmente clara.





