China reage à eleição de Lula e avalia impacto na influência dos EUA na América Latina
A China parabenizou oficialmente Luiz Inácio Lula da Silva pela sua vitória nas eleições presidenciais brasileiras, um movimento que a imprensa estatal chinesa interpretou como um **revés para a influência dos Estados Unidos e de Donald Trump** na América Latina.
Apesar da cautela diplomática inicial, veículos de comunicação estatais chineses destacaram a eleição de Lula como um freio a uma guinada da região à direita. A agência Xinhua noticiou o discurso de vitória do petista com um título que enfatizava a vitória contra a “interferência estrangeira”.
Apesar da vitória, a China também demonstra atenção às forças conservadoras no Brasil. O Diário do Povo, por exemplo, ressaltou que, embora a tendência de direita na região tenha sido contida, os bolsonaristas conquistaram a maioria dos governos estaduais e a maior bancada no Congresso Nacional. Essa análise, divulgada pelo portal do grupo Phoenix de Hong Kong, aponta que Lula pode iniciar seu mandato cercado e sob pressão para fazer concessões políticas e orçamentárias, o que poderia levá-lo a adotar posições mais à direita.
Influência externa e a estratégia chinesa no Brasil
Um pesquisador citado pelo portal Phoenix levanta a hipótese de que a influência externa, possivelmente ligada a grupos americanos como a Rockbridge Network, pode persistir mesmo após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro. A campanha de Flávio Bolsonaro negou o recebimento de qualquer verba ou estrutura estrangeira, proibida pela legislação eleitoral brasileira.
A análise sugere que governadores de direita, com forte ligação com o agronegócio exportador e interessados em investimentos chineses, podem manter relações aquecidas com Pequim, mesmo diante de um Congresso Nacional mais hostil. A China, segundo essa perspectiva, deve buscar entender as divisões internas brasileiras e **abrir canais de diálogo com novos políticos da direita** que ganham força nos estados.
Desafios para a diplomacia chinesa no Brasil
Desde 2023, a maior parte da aproximação entre China e Brasil tem passado diretamente pelo Planalto, com a elevação do relacionamento e visitas de Estado planejadas. Com Lula indicando que este será seu último mandato, Pequim tem um horizonte de quatro anos para **cultivar interlocutores em uma direita em ascensão** nos estados e no Congresso, que atualmente demonstra maior proximidade com Washington.
A China busca equilibrar suas relações, reconhecendo a vitória de Lula e, ao mesmo tempo, observando o crescimento de forças políticas com as quais pode dialogar, mesmo que estas apresentem afinidades com os Estados Unidos. A estratégia chinesa parece focar em manter a estabilidade econômica e comercial, independentemente das mudanças de governo.
Expansão chinesa e desafios regulatórios na Europa
Em outro front, a varejista chinesa Temu teve seu plano para corrigir violações à Lei de Serviços Digitais (DSA) aprovado pela Comissão Europeia. A empresa havia sido multada em maio por não impedir a venda de produtos ilegais, e agora tem quatro meses para apresentar uma avaliação de riscos intermediária.
Essa medida europeia, somada a taxas sobre encomendas de baixo valor que já afetam Temu, Shein e AliExpress, indica um **endurecimento das regras para o comércio eletrônico transfronteiriço**. Esse modelo, que antes permitia a entrada de pacotes sem impostos na União Europeia, está sendo desmantelado, empurrando vendedores chineses para mercados emergentes como o Brasil, onde a pressão por regulamentações mais rígidas também tende a aumentar.





