Democratas dos EUA prometem investigar Trump e Meta por interferência nas eleições brasileiras caso vençam as midterms
Deputados democratas dos Estados Unidos planejam uma investigação sobre o papel do ex-presidente Donald Trump e da Meta (empresa controladora do Facebook e Instagram) nas eleições brasileiras. A deputada Pramila Jayapal declarou que, caso seu partido conquiste a maioria nas eleições de meio de mandato (midterms) na próxima terça-feira, 8 de novembro, eles usarão seu poder de fiscalização para apurar as ações que possam ter influenciado o processo democrático no Brasil.
O foco principal recai sobre a suposta proteção oferecida pelo governo Trump ao senador Flávio Bolsonaro, que buscou refúgio nos Estados Unidos após ter seu passaporte apreendido pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, a influência da Meta no debate eleitoral brasileiro também será alvo de escrutínio.
“Se vencermos na terça-feira, exerceremos nossa função de fiscalização e investigaremos o que o governo Trump e o que a Meta fizeram no Brasil, e faremos tudo ao nosso alcance para apoiar os resultados democráticos das eleições brasileiras e a vontade do povo brasileiro”, afirmou Jayapal. Essas declarações foram feitas à Folha de S.Paulo, reforçando o compromisso dos democratas em garantir a integridade dos processos eleitorais democráticos, tanto nos EUA quanto em outros países.
Carta a Marco Rubio levanta questões sobre o visto de Flávio Bolsonaro
Pramila Jayapal, membro dos comitês Judiciário e de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, foi uma das signatárias de uma carta enviada ao Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, um conhecido aliado da família Bolsonaro. A carta, datada da noite de quinta-feira (29), contém 15 perguntas e exige esclarecimentos até 13 de novembro.
Os deputados democratas questionam a base jurídica para a emissão de vistos ao senador Flávio Bolsonaro e sua família, especialmente considerando as investigações criminais em andamento contra ele no Brasil. Eles também buscam saber se o Departamento de Estado considerou essas investigações e se diplomatas americanos auxiliaram no plano de fuga do senador.
A ação demonstra a preocupação dos democratas com o que consideram uma interferência do governo Trump em assuntos internos brasileiros e na soberania das decisões judiciais do Brasil. A deputada Jayapal já havia se manifestado anteriormente sobre o tema, pedindo esclarecimentos ao Departamento de Estado e à Meta sobre medidas que ela vê como tentativas de influenciar o pleito.
Midterms nos EUA: Cenário político e expectativas democratas
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, ocorrem nesta terça-feira (3). As pesquisas indicam um cenário favorável aos democratas, que aparecem com 51,4% de apoio contra 43,2% dos republicanos, segundo a média de pesquisas do RealClearPolling. Há uma expectativa considerável de que os democratas consigam a maioria na Câmara dos Representantes, embora a disputa pelo controle do Senado seja mais acirrada.
Jayapal acredita que a conquista da maioria, mesmo que apenas na Câmara, será suficiente para iniciar as investigações. Ela ressalta que o comportamento de Trump em questionar a legitimidade das eleições brasileiras reflete sua própria postura nos EUA, onde ele tem levantado dúvidas sobre o resultado das eleições de 2020 e sobre a lisura do pleito que se aproxima.
“As duas coisas estão totalmente relacionadas. É isso que ele faz quando perde eleições livres e justas. Ele tenta semear dúvidas”, comentou a deputada, comparando as táticas de Trump com as que levaram aos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ela lamenta que, diferentemente do Brasil, Trump não tenha sido responsabilizado na mesma medida que Bolsonaro pai.
Trump exporta táticas de questionamento eleitoral, diz deputada
A deputada democrata enfatiza que Donald Trump está “exportando seu método” de questionar resultados eleitorais quando perde. Ela aponta as diversas tentativas de Trump de restringir votos nas midterms americanas, como questionar cadastros eleitorais e pressionar estados a não contabilizar votos, tudo isso sem apresentar provas concretas.
Jayapal afirma que Trump busca preparar o terreno para que, caso perca, a culpa seja atribuída a uma eleição não livre, apesar de o sistema eleitoral brasileiro ser considerado extremamente preciso e as acusações contra ele serem semelhantes às que Trump faz nos EUA. Ela também se mostrou cética quanto à possibilidade de sanções contra o Brasil, impulsionadas por Eduardo Bolsonaro, pois não acredita que os republicanos terão maioria para tal iniciativa.





