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Mu Carvalho Revela Bastidores de ‘A Cor do Som’ e Composições Globais em ‘Memórias Sintetizadas’

Mu Carvalho lança autobiografia contando sua jornada musical, de ‘A Cor do Som’ às trilhas globais, com alegrias e tensões de um artista multifacetado.

O universo musical de Maurício Magalhães de Carvalho, conhecido como Mu Carvalho, é vasto e repleto de histórias. Em sua autobiografia, “Memórias sintetizadas”, o compositor, pianista e produtor musical carioca detalha a trajetória de alegrias e tensões vividas desde que iniciou sua carreira em 1973.

Filho e neto de pianistas, Mu Carvalho trilhou um caminho que o levou do grupo pop A Cor do Som às composições industriais para a TV Globo, onde atuou por 28 anos. O livro, organizado a partir de relatos escritos e conversas com Paulo Jeibali, oferece um olhar sincero e objetivo sobre sua vida artística.

A obra, que conta com apresentações de nomes como Dadi Carvalho e Gilberto Gil, detalha os processos criativos por trás de álbuns solo e colaborações, além de expor visões críticas sobre momentos marcantes de sua carreira, como a evolução de A Cor do Som no mercado musical. Conforme informações divulgadas, o livro é um mergulho profundo nas experiências de um músico que construiu um legado notável.

Do Grupo Semente ao estrelato com A Cor do Som

A carreira de Mu Carvalho decolou cedo. Aos 16 anos, em 1973, já integrava o Grupo Semente. Em 1975, deu um salto profissional ao ser convidado para as bandas de Jorge Ben Jor e Moraes Moreira. O reconhecimento nacional veio em 1977 com a formação d’A Cor do Som, grupo pioneiro na música instrumental com brasilidade pop, abrindo portas para o rock em um mercado ainda resistente.

Como tecladista e vocalista d’A Cor do Som, Mu viveu o auge do sucesso e as complexidades de turnês pelo Brasil. No entanto, com o declínio do grupo, ele seguiu carreira como sideman, acompanhando artistas como Luiz Caldas, Legião Urbana e Marina Lima, enfrentando a instabilidade financeira comum a músicos nessa posição.

A transição para as trilhas sonoras da TV Globo

Buscando estabilidade, Mu Carvalho encontrou seu lugar no universo da composição para televisão. Em 1994, por indicação de seu irmão, Sérgio Carvalho, ingressou na TV Globo, onde se dedicou à criação de trilhas sonoras originais para novelas e programas por 28 anos. Essa fase marcou sua consolidação como um compositor prolífico.

O livro detalha a dinâmica de criar temas musicais em escala industrial, mostrando o delicado equilíbrio na relação com diretores de novelas. Um exemplo marcante é a composição do charleston “Chocolate com pimenta”, tema de abertura da novela homônima, que se tornou um de seus maiores sucessos autorais.

Sucessos autorais e a crítica ao mercado

Além de “Chocolate com pimenta”, outra canção de destaque no cancioneiro de Mu Carvalho é “Sapato velho”, composta na juventude com Claudio Nucci e letra de Paulinho Tapajós. Embora lançada em 1978, a música se consagrou com a gravação do grupo Roupa Nova.

Em “Memórias sintetizadas”, Mu Carvalho não hesita em expor visões críticas sobre a trajetória d’A Cor do Som. Ele reconhece os erros do grupo ao tentar se adaptar às tendências do mercado, como no álbum “As quatro fases do amor” (1983), que se distanciou da identidade original da banda. A pressão da gravadora RCA em 1986 para gravar músicas de Sullivan & Paulo Massadas também é relatada, culminando no lançamento do álbum “Gosto do prazer” (1986) com desdém e, posteriormente, na dissolução do grupo em 1987.

Um legado musical em constante expansão

“Memórias sintetizadas” abrange toda a discografia solo de Mu Carvalho, iniciada em 1985 com o álbum “Meu continente encontrado” e desenvolvida ao longo de 40 anos. O mais recente trabalho solo, “O mundo é o meu jardim”, lançado em 2025, reforça a ideia de que, a partir de seu “quintal” criativo, o artista continua a explorar um mundo musical sem fronteiras.

O livro, com suas 258 páginas publicadas pela editora Memorabilia, é um registro valioso da carreira de um artista que, embora orgulhoso de seu cancioneiro autoral, também deixa transparecer um certo ressentimento por nem sempre ter sido devidamente valorizado como compositor. A narrativa fluida e objetiva convida o leitor a mergulhar nas complexidades e belezas da vida de Mu Carvalho.

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