Chile sob Kast reverte plano de regularização de imigrantes e adota linha dura na fronteira
O novo governo do Chile, liderado pelo ultradireitista José Antonio Kast, tomou uma medida drástica ao suspender o plano de regularização de 182 mil imigrantes, uma iniciativa que havia sido promovida pela administração anterior de Gabriel Boric. A decisão, confirmada pelo Serviço de Migrações, sinaliza uma mudança significativa na política de imigração do país.
A decisão de suspender a regularização em massa, conforme proposto pelo governo de Boric, foi anunciada pelo diretor do Serviço Nacional de Migrações, Frank Sauerbaum. Ele justificou a medida alegando que um número considerável de pessoas já registradas teriam cometido delitos. A informação foi divulgada pelo Serviço de Migrações à agência AFP.
Essa postura de Kast, que teve a deportação de imigrantes em situação irregular como um de seus principais lemas de campanha, alinha-se com sua visão de endurecer o controle de fronteiras. O Chile enfrenta um cenário de cerca de 337 mil estrangeiros vivendo sem a documentação necessária, sendo a maioria venezuelana, conforme dados oficiais. Entenda os detalhes dessa nova política.
Fim da Regularização em Massa e Acusações de Delitos
O diretor do Serviço Nacional de Migrações, Frank Sauerbaum, declarou que o governo não realizará uma regularização em massa como a planejada pelo governo Boric. Ele acrescentou que, “felizmente”, o decreto que permitiria a legalização de cerca de 182 mil pessoas foi suspenso. Sauerbaum mencionou que, segundo informações recentes, 6.000 dessas 182 mil pessoas já teriam cometido delitos, embora os crimes específicos não tenham sido detalhados pelo órgão.
Construção de Muros e Reforço Militar na Fronteira
Logo após sua posse, José Antonio Kast determinou a construção de muros e valas na região fronteiriça com a Bolívia e o Peru, cumprindo promessas de campanha. Essa medida, que imita ações de seu homólogo americano Donald Trump, faz parte do chamado “Plano Escudo de Fronteira”. O plano visa desencorajar a imigração irregular, alterar normas sobre o uso da força e construir barreiras físicas em áreas estratégicas.
Além das barreiras físicas, o governo enviou dois projetos de lei ao Parlamento. Um deles propõe punir aqueles que auxiliarem imigrantes a ingressar irregularmente no país, e o outro visa transformar a entrada ilegal em crime. Essa abordagem busca aumentar o controle e a vigilância nas fronteiras, com o uso de drones e sensores, e o aumento de recursos militares na região.
Contexto Político e Imigração no Chile
A chegada de Kast ao poder marca o início do governo mais à direita no Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet. A forte postura anti-imigração de seu governo reflete uma crescente preocupação com os fluxos migratórios no país. A situação dos imigrantes sem documentação, especialmente os venezuelanos, continua sendo um ponto central no debate sobre segurança e soberania.
A suspensão do plano de regularização e as novas medidas de controle na fronteira sinalizam um período de maior restrição para os imigrantes no Chile. O governo de Kast busca, com essas ações, atender às demandas de parte do eleitorado que prioriza a segurança e o controle de fronteiras, reconfigurando as políticas de imigração do país sul-americano.





