Es Devlin: A Artista Que Molda a Experiência de Shows Monumentais com Tecnologia e Emoção
A britânica Es Devlin é a mente por trás de alguns dos cenários mais icônicos da música pop mundial. De telões que desafiam a gravidade a palcos que se tornam personagens, seu trabalho eleva a experiência do público a um novo patamar.
Com uma carreira que transita entre museus, desfiles de moda, peças de teatro e os maiores espetáculos musicais, Devlin se destaca por sua capacidade de unir arte, engenharia e tecnologia para criar obras que emocionam em escala monumental.
Ela é a artista que concebeu os impressionantes telões cñubicos da “Formation Tour” de Beyoncé, o palco grandioso da “Renaissance Tour” e o cenário tecnológico do U2. Além disso, é responsável pela produção do palco do histórico show de Lady Gaga em Copacabana, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Arte de Traduzir Emoção em Escala Monumental
“Alguém teve um momento de vida que transformou em música, as pessoas ressoaram com aquilo e compraram um ingresso para ouvir ao vivo. Eu só tento manter essa intimidade na escala monumental”, explica Es Devlin. Sua filosofia é focar na sensação do público, e não apenas na aparência visual capturada pelas câmeras.
O trabalho de Devlin é descrito como uma mistura de criação, imaginação e execução. Ela trabalha no “limite do possível”, buscando inovar sem cair no que já foi feito. “Existe o impossível, que não podemos fazer porque estamos criando coisas físicas. E existe o possível, que não queremos fazer porque já foi feito”, afirma a artista.
Do Palco aos Museus: A Versatilidade de Es Devlin
Embora seus trabalhos em shows sejam mundialmente famosos, Es Devlin também assina projetos para desfiles de grandes marcas, peças de teatro e eventos de grande porte, como as Olimpíadas. Atualmente, ela tem dedicado mais tempo ao seu trabalho autoral.
Um exemplo é a exposição “Sou o Outro do Outro”, inaugurada em março em São Paulo. A mostra apresenta obras imersivas que utilizam espelhos, sons e imagens, incentivando a interação do público, como conta o g1.
O Processo Criativo: Encontrando Pontos de Conexão
O processo criativo de Es Devlin envolve uma profunda pesquisa para encontrar um “terreno comum” entre sua visão e o contexto do projeto. Seja para um novo país, uma cultura específica ou um artista, ela busca “linhas de investigação que se sobrepõem”, como um diagrama de Venn.
“Procuro o lugar onde a minha pequena vida se sobrepõe à vida do Brasil, de São Paulo, do Matarazzo. Ali está o show”, exemplifica. O tempo de produção varia imensamente, desde 18 meses para sua exposição até apenas duas semanas para o show de Lady Gaga no Rio de Janeiro, que foi replicado em Copacabana sem alterações.
Intimidade em Grande Escala e o Papel do Público
Es Devlin vê uma continuidade entre seus trabalhos em estádios e exposições individuais. Ela acredita que a música, após ser compartilhada, passa a pertencer ao público, que se torna coautor da experiência. “Vejo toda performance e toda obra de arte como algo de autoria do público”, afirma.
A presença massiva de celulares em shows, que ela compara a “centauros reversos” onde a máquina parece ditar o ritmo, não altera seu foco principal. “Penso, como sempre fiz, em como comunicar intimidade em grande escala. Como pegar a verdade do que se tenta comunicar”, conclui Devlin, conforme relatado pelo g1.





