Irã promete retaliação massiva contra EUA e Israel em meio a escalada de tensões
O Exército do Irã elevou o tom nesta quinta-feira (2), prometendo ataques devastadores contra os Estados Unidos e Israel. A declaração surge como resposta direta às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de levar o país persa de volta à “Idade da Pedra” com bombardeios massivos nas próximas semanas.
As forças iranianas afirmam possuir capacidades militares estratégicas desconhecidas pelos adversários, incluindo centros de produção de mísseis e drones de longo alcance. A promessa de retaliação se intensifica diante do aumento da presença militar americana na região do Golfo.
Conforme informação divulgada pela AFP, o comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, declarou em rede estatal que “esta guerra continuará até sua humilhação, sua desonra, seu arrependimento definitivo e sua rendição”, alertando para “ações ainda mais contundentes, amplas e devastadoras”.
Capacidades militares iranianas e contra-ataques iminentes
O comandante Al-Anbiya reiterou que os Estados Unidos e Israel possuem informações incompletas sobre o poderio militar do Irã. Ele assegurou que os centros estratégicos de produção de armamentos avançados do país, como mísseis e drones de longo alcance, assim como sistemas de defesa aérea, não foram destruídos.
“Os locais que vocês acreditam ter atacado são insignificantes, e nossa produção militar estratégica ocorre em regiões que vocês desconhecem completamente e nunca conseguirão alcançar”, afirmou Al-Anbiya, sinalizando que os alvos atingidos até o momento pelas forças americanas e israelenses são de menor importância estratégica.
O comandante-chefe do Exército persa, Amir Hatami, informou à mídia estatal iraniana que os quartéis-generais operacionais estão monitorando “os movimentos inimigos com o máximo de pessimismo e precisão”. Ele complementou que o país está preparado para contra-atacar qualquer ofensiva, alertando que “nenhuma tropa inimiga deve sobreviver se os adversários tentarem uma operação terrestre”.
Retaliação a ataques industriais e envolvimento internacional
A Guarda Revolucionária do Irã também se pronunciou, declarando à TV estatal ter atacado instalações de aço e alumínio ligadas aos EUA em países do Golfo. Este ato foi apresentado como um aviso de que, caso as indústrias iranianas voltem a ser alvejadas, a “próxima resposta de Teerã será mais dolorosa”.
Este movimento de retaliação ocorre após as duas maiores usinas siderúrgicas do Irã, Khuzestan e Mobarakeh, anunciarem a paralisação de suas atividades devido a bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos desde a semana passada. A usina de Khuzestan, no sudoeste do país, teve todos os seus fornos de produção danificados, com a estimativa de retomada das operações em até um ano.
Em resposta aos ataques, Israel informou ter combatido o quarto ataque de mísseis iranianos em um período de seis horas. O Exército israelense confirmou a identificação de “mísseis disparados do Irã em direção a Israel” e a ativação de “sistemas de defesa para interceptar a ameaça”, segundo um comunicado divulgado enquanto sirenes de alerta soavam no norte do país. Não houve registro de vítimas.
França e China pedem diplomacia e criticam escalada
O presidente da França, Emmanuel Macron, durante visita a Seul, na Coreia do Sul, declarou que a guerra entre EUA e Irã não resolverá a questão do programa nuclear iraniano. Ele defendeu a busca por “negociações diplomáticas, técnicas e aprofundadas” como a solução mais adequada para a crise.
Macron também criticou a postura de Donald Trump em relação à OTAN, especialmente após o presidente americano ameaçar deixar a aliança por insatisfação com o apoio à guerra contra o Irã. “Se criamos a cada dia dúvidas sobre nosso compromisso, esvaziamos sua essência”, disse o líder francês, enfatizando a necessidade de seriedade e consistência nas declarações internacionais.
O presidente francês considerou “irrealista” a opção de uma operação militar para forçar a reabertura do estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã e por onde passa um quinto do petróleo mundial. Ele avaliou que tal intervenção seria arriscada e levaria “um tempo infinito”. A reabertura do estreito será discutida em uma reunião virtual presidida pelo Reino Unido, com a participação de cerca de 35 países, excluindo os Estados Unidos.
A China, por sua vez, atribuiu o fechamento do Estreito de Ormuz às “operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã”. A porta-voz do ministério chinês, Mao Ning, afirmou que “meios militares não podem resolver o problema, e a escalada de conflitos não atende aos interesses de nenhuma das partes”, manifestando-se contra as promessas de bombardeios feitas por Trump.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou esperança em um “fim rápido para o conflito no Oriente Médio” e se declarou pronto a fazer o necessário para ajudar a restaurar a paz na região, de acordo com a agência de notícias Interfax. Putin deve conversar com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para discutir a situação.




