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Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta Encantam com ‘Bicudos Dois’: Uma Dupla de ‘Telecoteco’ que Revive o Melhor do Samba

Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta brilham em show ‘Bicudos Dois’, celebrando a essência do samba com um ‘telecoteco’ irresistível.

O espetáculo ‘Bicudos Dois’, que celebra um dos álbuns mais notáveis de 2025, injustamente ausente das indicações do 33º Prêmio da Música Brasileira, confirmou a genialidade da dupla Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta. Em uma apresentação repleta de graça e melodia, os artistas se firmaram como uma dupla de ‘telecoteco’, termo que no dicionário do samba evoca a levada malemolente do tamborim e o balanço contagiante.

Tanto no disco quanto no palco, a sintonia de Del-Penho e Malta remete a duplas icônicas do passado, como Francisco Alves e Mário Reis. O show, que estreou em 17 de dezembro no Rio de Janeiro e voltou à cena em 31 de março no Teatro Ipanema, apresentou um repertório que transita entre clássicos e obras recentes, demonstrando a versatilidade e o profundo conhecimento musical dos artistas.

Com arranjos que evocam a maestria do disco homônimo, sequência do aclamado ‘Dois Bicudos’ de 2004, o espetáculo foi cuidadosamente curado, levando o público a uma viagem sonora inesquecível. A informação foi divulgada após a apresentação dentro do projeto ‘Terças no Ipanema’, que tem atraído público seleto ao teatro.

Um repertório que transita entre o clássico e o contemporâneo

O show ‘Bicudos Dois’ passeia por joias raras da música brasileira, como o samba ‘É preciso discutir’, de Noel Rosa, revivido com a mesma inspiração de Francisco Alves e Mário Reis. A seleção musical também inclui canções mais recentes, como ‘Santinha’, de Chico e Mario Adnet, com sua atmosfera de gafieira, e ‘Prece do jangadeiro’, de Pedro Amorim, que evoca a profundidade do cancioneiro marinho de Dorival Caymmi.

A abertura com o samba ‘Doralice’, de Dorival Caymmi e Antônio Almeida, e o encerramento com ‘O que será de mim’, de Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves, evidenciaram o charme da harmonização vocal da dupla. A bossa do canto de Del-Penho e Malta em ‘Doralice’ remeteu à gravação original pelo grupo vocal Anjos do Inferno, influência direta para João Gilberto.

A maestria da dupla e o virtuosismo dos músicos

Em cena, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta dividiram o palco do Teatro Ipanema com cinco músicos de excelência: Marcos Thadeu (bateria e chapéu de palha), Paulino Dias (percussão), Paulo Aragão (violão, arranjos e direção musical), Pedro Aragão (bandolim e violão) e Rui Alvim (clarinete e clarone). A performance conjunta resultou em uma execução primorosa de sambas como ‘O que vier eu traço’, de Alvaiade e Zé Maria.

A sintonia da dupla se manifestou em momentos de canto em uníssono, como no ágil samba ‘Seja breve’, de Noel Rosa, e em duelos vocais no samba-choro de breque ‘Desafio do malandro’, de Chico Buarque. O entrosamento foi tão notável que até mesmo as brincadeiras sobre futebol, que introduziram a marcha ‘Hino do Canto do Rio’, de Lamartine Babo, adicionaram um toque de espontaneidade ao show.

Melancolia e dor de cotovelo filtradas pelo ‘telecoteco’

Nem só de ginga e balanço viveu o espetáculo. A dolência de ‘Reserva de domínio’, de Paulo C. Pinheiro e Mauro Duarte, evidenciou a beleza melódica da composição, realçada pelo choro da cuíca de Paulino Dias. A dor de cotovelo do samba ‘Pergunte aos meus tamancos’, de Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, foi habilmente filtrada pelo ‘telecoteco’ característico da dupla.

O show também extrapolou o repertório do álbum ‘Bicudos Dois’, incluindo pérolas como ‘Foi uma pedra que rolou’, de Pedro Caetano, regravada pela dupla no disco de 2004, e ‘Canção para inglês ver’, de Lamartine Babo, tema herdado do show ‘Lamartiníadas’. Essa expansão demonstra a riqueza do acervo musical que Del-Penho e Malta trazem para o palco.

Uma celebração do samba que beira a perfeição

Em suma, o show ‘Bicudos Dois’ apresentou uma celebração do samba que, com a leveza e a maestria de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, roçou a perfeição. A dupla do ‘telecoteco’ reafirmou seu lugar de destaque na cena musical brasileira, oferecendo ao público uma experiência sonora que reverencia o passado enquanto celebra o presente do gênero.

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