Com o FGTS Futuro, orçamento recorde de R$145 bilhões para habitação e injeção de R$38 bilhões por mudança nos compulsórios, o mercado imobiliário fica mais acessível para compradores jovens
O mercado de crédito imobiliário brasileiro entrou em uma nova fase de crescimento, com sinal verde para quem busca a casa própria mais cedo. A combinação entre políticas públicas e juros menores tem atraído, especialmente, consumidores mais jovens.
As condições são favoráveis tanto para quem já tem reserva, quanto para quem conta com ferramentas que antecipam recursos do FGTS. Imobiliárias e construtoras já relatam aumento na procura por apartamentos compactos e studios.
Os números e depoimentos a seguir mostram por que a expectativa é de expansão do setor, conforme projeções da Abecip.
Expansão do crédito e sinais para 2026
Segundo a Abecip, o setor deve registrar um crescimento de 16% no volume de financiamentos este ano, com os recursos do SBPE alcançando R$180 bilhões, uma alta de 15% em relação a 2025. Em 2025, a poupança financiou 458 mil imóveis (volume 14% inferior ao período anterior), o que mostra recuperação e espaço para avanço.
Além disso, o orçamento recorde de R$145 bilhões para habitação social via FGTS e a nova regulamentação dos depósitos compulsórios, que injetou R$38 bilhões no sistema, ajudaram a reduzir as taxas de juros para pessoas físicas, tornando as parcelas mais sustentáveis.
FGTS Futuro e o novo perfil do comprador
Para a parcela mais jovem da população, o grande diferencial tem sido o FGTS Futuro. A modalidade permite que trabalhadores usem depósitos que ainda serão realizados por empregadores para abater prestações ou aumentar o poder de compra, funcionando como garantia para quem tem estabilidade no emprego, mas pouca reserva para entrada.
Com o novo teto de utilização do fundo para imóveis de até R$2,25 milhões, o sonho da casa própria torna-se alcançável para a Geração Z e millennials já no início da trajetória profissional. A mudança altera o perfil de demanda do mercado imobiliário, elevando a procura por unidades compactas e projetos com entrega mais rápida.
Reação do setor e estratégia das imobiliárias
Elza Rocha Loures, presidente da Rede Una Imóveis Conectados, resume o momento, “Vivemos o que analistas chamam de retomada consolidada. Esse crescimento de 16% no crédito não é por acaso, ele é sustentado pela estabilidade inflacionária e pela queda gradual da Selic, que torna as parcelas mais leves a longo prazo. Isso acelera o giro dos estoques das imobiliárias”, afirma.
Adalberto Scherer, diretor comercial da imobiliária Cibraco, destaca a adaptação das empresas, “Estruturamos uma estratégia que une portfólio próprio, prospecção contínua e forte presença digital. Com o apoio de agências especializadas, conseguimos enfrentar a concorrência de plataformas menos estruturadas”, relata Scherer.
O que muda no bolso do comprador
Com a queda da Selic e medidas que ampliam o acesso ao FGTS, as parcelas ficam mais leves, e prazos e valores financiáveis melhoram. Isso amplia o universo de quem pode contratar crédito imobiliário e reduz a dependência apenas de poupança tradicional.
Para quem pretende comprar nos próximos meses, a dica é verificar elegibilidade ao FGTS Futuro, comparar ofertas de crédito e considerar unidades compactas, que têm sido as mais procuradas por compradores entre 35 e 40 anos e por jovens profissionais.
Helisson Pelegrini, especialista em Mercado Imobiliário




