BC: Auditorias em Precatórios do Banco Master de R$ 13 Bilhões Não Apontam Irregularidades, Mas TCU e CGU Divergem
Duas auditorias determinadas pelo Banco Central em 2024 sobre R$ 13 bilhões em precatórios do Banco Master não encontraram irregularidades. Apesar da aprovação dos números pela KPMG, órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) levantam preocupações sobre supervalorização ou inexistência de ativos.
As informações, divulgadas pela Folha de S. Paulo, indicam que a falta de transparência nas auditorias pode deixar investidores descobertos. O risco imediato abrange perdas superiores ao limite de R$ 250 mil por CPF garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de um potencial aumento nos custos de crédito para todo o sistema financeiro.
O Banco Master utilizava plataformas de varejo para captar recursos de investidores, sob a garantia do FGC, e alocava esse capital em ativos de baixa liquidez, como precatórios (dívidas judiciais) e empréstimos de longo prazo. Esse descompasso estrutural gerou alertas no mercado financeiro. O balanço de 31 de dezembro de 2024 reportava R$ 8,7 bilhões em precatórios, montante considerado “aceitável” pela KPMG após inspeção documental e análise de processos judiciais.
A Supervisão do Banco Central e os Alertas do Mercado
A atuação regulatória do Banco Central se deu de forma escalonada. Em março e abril de 2026, o TCU divulgou um relatório crítico sobre a situação, enquanto a CGU iniciou um processo contra ex-dirigentes do BC por suspeita de favorecimento. Esses movimentos sinalizaram a complexidade e as divergências em torno da avaliação dos ativos do Banco Master.
O Impasse entre Auditores e Órgãos de Controle
A KPMG considerou a valoração dos ativos “aceitável” e os riscos jurídicos “favoráveis”, mas seu escopo de análise se limitou à expectativa de recebimento judicial. A empresa informou ter deixado de auditar o Banco Master a partir de 2025, citando cláusulas de sigilo e regras profissionais que a impedem de comentar sobre ex-clientes. Similarmente, o escritório Galdino Advogados restringiu sua avaliação aos riscos jurídicos, andamentos processuais e tempo estimado de recebimento, sem analisar aspectos econômicos ou financeiros.
TCU e CGU Apontam Riscos e Falta de Liquidez
Em contrapartida, o TCU e a CGU apresentaram conclusões distintas, apontando ativos supervalorizados ou inexistentes. Os órgãos alertam para a falta de registro público, o que gera um “risco jurídico severo”, além do uso de engenharias financeiras para mascarar a falta de liquidez. O relatório AudBancos do TCU afirmou categoricamente que “o Master postergava o reconhecimento da iliquidez por engenharias financeiras de repasse”, evidenciando uma preocupação central sobre a real situação financeira dos ativos.





