O Paquistão na Linha de Frente, a China na Observação: Entenda o Papel de Cada Potência na Crise Iraniana
O chanceler paquistanês, Ishaq Dar, demonstrou a urgência diplomática ao viajar para Pequim com o braço imobilizado, após fraturar o ombro. Sua presença na China, em 31 de outubro, foi para discutir a guerra no Irã, evidenciando o protagonismo do Paquistão na mediação do conflito.
Desde o início dos bombardeios contra o Irã em fevereiro, o Paquistão tem se colocado na vanguarda dos esforços de paz. O país asiático intermediou diálogos entre líderes regionais e o presidente iraniano, além de negociar a reabertura parcial do estreito de Hormuz para navios de carga, conforme informações divulgadas pelo ministério paquistanês.
A proximidade geográfica com o Irã, um pacto de defesa mútua com a Arábia Saudita e uma economia sensível a conflitos regionais forçam Islamabad a uma atuação diplomática ativa. No entanto, a China, apesar de seus interesses econômicos no Estreito de Hormuz, adota uma postura mais reservada, oferecendo apoio verbal e diplomático, mas evitando assumir responsabilidades diretas em um eventual acordo, como apontam analistas e fontes diplomáticas.
A Estratégia Chinesa: Apoio Discreto e Recusa de Protagonismo
A China tem expressado apoio ao cessar-fogo e elogiado os esforços paquistaneses, recebendo Ishaq Dar com honras e assinando um plano conjunto que visa apoiar os esforços de mediação. Contudo, quando se trata de atuar como fiador de um acordo, a resposta de Pequim tende a ser vaga. O enviado especial chinês para o Oriente Médio, Zhai Jun, declarou que “quem amarrou o nó deve desatá-lo”, uma clara alusão à responsabilidade dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, uma recusa implícita em assumir um papel de liderança.
Interesses Econômicos e Políticos: O Equilíbrio da China
A guerra no Irã afeta diretamente a China, pois cerca de 45% e 50% do petróleo importado pelo país passam pelo estreito de Hormuz. Apesar disso, Pequim demonstra cautela para não comprometer sua agenda com os Estados Unidos. Encontros previstos entre os líderes chinês e americano em 2023, como no G20 e na APEC, indicam a prioridade de estabilizar a relação bilateral.
Wang Yiwei, diretor do Instituto de Assuntos Internacionais da Universidade Renmin, instituição próxima ao Partido Comunista Chinês, explicou que a China não deseja que o Irã ou outros conflitos prejudiquem a confiança entre americanos e chineses. Essa lógica de “potência cautelosa” se assemelha a situações anteriores, como o sequestro de Maduro em janeiro.
O Legado da Mediação Irã-Arábia Saudita e os Limites da China
A narrativa da China como uma alternativa de paz aos Estados Unidos possui um apelo real, fundamentado em feitos como a mediação da retomada das relações diplomáticas entre Irã e Arábia Saudita em 2023. Este foi um feito genuíno que rendeu dividendos de imagem para Pequim.
No entanto, naquele acordo, a China não precisou garantir nada, não pressionou potências globais e não correu o risco de ser responsabilizada em caso de fracasso. Mediar se torna mais fácil quando o custo do insucesso recai sobre outros. A China, até o momento, oferece cobertura diplomática ao Paquistão e legitimidade a processos de paz, mas sem se expor ao risco de fracasso, demonstrando os limites de sua atuação como potência pacífica.





