Zeca Veloso expande seu universo musical em show “Boas Novas”, misturando composições próprias com homenagens a ícones da MPB e trilhas sonoras de desenhos animados.
Na noite de 4 de abril, o cantor e compositor Zeca Veloso fez uma estreia marcante com seu novo show, “Boas Novas”, na abertura da sétima edição do Queremos! Festival, no Rio de Janeiro. Apesar de uma fama de tímido, o artista demonstrou uma presença de palco envolvente, cativando o público no Teatro Carlos Gomes.
O repertório mesclou faixas do seu recém-lançado álbum, “Boas Novas” (2025), com interpretações de canções de grandes nomes da música brasileira e internacional. O show, que contou com uma big band, celebrou a influência familiar e a versatilidade de Zeca como músico.
A apresentação, que lotou o teatro, foi um marco na carreira solo de Zeca Veloso, impulsionada desde o final de 2023 com apresentações intimistas e agora expandida para um formato maior e mais elaborado. Conforme informação divulgada, o show “Boas Novas” no Queremos! Festival foi o primeiro com uma big band, reforçando a ambição artística do cantor.
Da Herança Familiar às Novas Composições
Zeca Veloso iniciou a noite homenageando o pai, Caetano Veloso, com a canção “Peter Gast” (1983), exibindo o característico falsete que já havia encantado o público no show “Ofertório” (2017), ao lado dos irmãos Moreno e Tom Veloso. Essa participação familiar foi o catalisador para o início de sua carreira solo.
O álbum “Boas Novas”, gestado desde 2018 e lançado em novembro de 2025, foi a base do show. Músicas como “Salvador”, já apontada como um possível hit, e “Máquina do Rio”, um pop-funk-samba que evoca os arranjos de Lincoln Olivetti, mostraram a força das composições autorais de Zeca.
Surpresas e Homenagens Emocionantes
A noite foi marcada por convidados especiais e surpresas. O rapper Xamã participou de “Máquina do Rio”, adicionando um elemento de rap à música. Dora Morelenbaum também subiu ao palco para reproduzir o dueto de “A carta” (2025), presente no álbum.
A balada bilíngue “Carolina” (2025), com seu arranjo sacral e a interpretação emotiva de Zeca, foi um dos pontos altos. O artista também demonstrou sua habilidade em transitar por diferentes gêneros musicais, incluindo sambas icônicos.
Um Passeio Pelos Clássicos da MPB
O show de Zeca Veloso foi um verdadeiro mergulho na história da música brasileira. Sambas de Noel Rosa, como “Não tem tradução” (1933), foram relembrados, dialogando com a temática de “Desenho de animação” (2025), que aborda cinema e paixões dubladas.
A reverência a Tom Jobim se fez presente com uma interpretação de “Garota de Ipanema” (1962), um clássico da bossa nova carioca. Tim Maia foi homenageado com “Réu confesso” (1973), mostrando a versatilidade de Zeca no samba-soul.
Paulo Vanzolini, com “Volta por cima” (1962), também teve seu espaço, assim como o samba autoral “O sal desse chão” (2025), com Xande de Pilares. Uma grata surpresa foi a interpretação de “Colors of the wind”, tema do filme “Pocahontas” (1995), que caiu muito bem na voz expressiva de Zeca.
Presença de Palco em Evolução
Apesar de ainda ser o canto em falsete o que mais prende a atenção do público, Zeca Veloso mostrou uma evolução notável em sua presença de palco. Gestos, trocas de jaqueta e óculos, e até a criação de um bordão como “Pode ir, Lucão”, para o guitarrista Lucca Noacco, adicionaram charme e dinamismo à apresentação.
O show culminou com um bis emocionante, onde Zeca convidou a plateia para subir ao palco e reviver “Salvador”, demonstrando uma conexão genuína com seus fãs e consolidando “Boas Novas” como um espetáculo envolvente e diversificado.





