A missão Artemis II fez história ao levar quatro astronautas a uma distância recorde da Terra, e a cena a bordo emocionou quem acompanhou a transmissão ao vivo.
Durante cerca de sete horas, a tripulação passou por uma janela rara da exploração espacial, vendo um lado da Lua que nunca é visível da Terra.
Os detalhes e as reações dos astronautas foram relatados em imagens e mensagens que viralizaram nas redes sociais, conforme informação divulgada pelo g1
Como foi o momento do recorde e a proximidade com a Lua
Pela rota da missão, os quatro integrantes da Artemis II se tornaram, por volta das 15h pelo horário de Brasília, os primeiros seres humanos a alcançar o ponto mais distante do planeta, exatos 406.777 km de distância do nosso planeta, 6.606 km mais longe do que chegou a Apollo 13 de Lovell.
Às 19h27 no horário de Nova York, 20h27 pelo horário de Brasília, a nave Orion reestabeleceu contato com a Terra, e apenas um minuto depois os astronautas puderam ouvir vozes do controle.
Antes disso, a Lua havia ficado entre a Orion e a Terra, interrompendo as comunicações por cerca de 40 minutos, quando as ondas de rádio não conseguiam atravessar o obstáculo celestial.
O que os tripulantes viram e como reagiram
No ponto de maior aproximação, por volta das 20h01, a Orion passou a cerca de 400 km da superfície lunar, uma distância semelhante à da Estação Espacial Internacional em relação à Terra.
Os astronautas descreveram a Lua como muito próxima a ponto de parecer do tamanho de uma bola de basquete pela janela, e emocionaram-se ao ver pela primeira vez a parte oculta do satélite iluminada pelo Sol.
Em um gesto simbólico, o canadense Jeremy Hansen pediu o batismo de duas crateras, uma chamada Integrity, nome dado à cápsula, e outra chamada Caroll, em homenagem à mulher do comandante Reid Wiseman, que faleceu em 2020.
Perda de sinal, celulares a bordo e mensagens históricas
Essa missão também trouxe novidades de comunicação, pois, pela primeira vez em um voo desse tipo, a Nasa autorizou que astronautas levassem celulares, para registrar fotos e vídeos durante a viagem, dentro de limites técnicos.
Segundo a equipe, “O celular deles tem duas alterações: o bluetooth não funciona e nem o sinal de telefonia, que é para não correr o risco de alguma interferência com a espaçonave”, explicando as restrições de uso em voo.
Ao retomar o contato, houve momentos de emoção pessoal, incluindo mensagens dirigidas a familiares a bordo e saudações de ícones do passado da exploração lunar.
Jim Lovell, comandante da Apollo 8 e personagem das primeiras voltas à Lua, deixou uma mensagem aos tripulantes que foi lembrada assim, “Bem-vindos à minha antiga vizinhança. Durante a Apollo 8, tivemos a primeira visão próxima da Lua com nosso planeta. Essa visão inspirou as pessoas a se unirem e estou orgulhoso de passar o bastão para vocês. É um dia histórico. Aproveitem a vista”.
Experimentos, retorno e próximos passos da Artemis
Além do registro visual, a missão levou experimentos para avaliar efeitos da distância e da radiação sobre o corpo humano, entre eles a chamada Experiência avatar, que analisa material genético dos astronautas antes e depois do voo, para comparar possíveis alterações.
A tripulação deve retornar à Terra no dia 10 de abril, e os resultados desses exames serão fundamentais para planejar as próximas etapas do programa, inclusive a missão Artemis IV, prevista para 2028, com o objetivo final de pousar a primeira mulher na Lua.
Enquanto isso, a estratégia da Nasa de documentar a missão em detalhes, com postagens e imagens em tempo quase real, transformou a viagem em um evento seguido mundialmente, aproximando o público, sobretudo os jovens, da exploração espacial.




