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Equador convoca embaixador na Colômbia após Petro chamar Jorge Glas de ‘preso político’: Tensão diplomática aumenta

Equador chama embaixador na Colômbia para consultas após declarações de Petro sobre Jorge Glas

A ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, anunciou na quarta-feira (8) a convocação do embaixador equatoriano na Colômbia, Arturo Félix, para consultas. A medida é uma retaliação direta às declarações feitas pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, no início desta semana, que classificou o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas como um ‘preso político’.

Essa escalada diplomática evidencia o crescente descontentamento de Quito com o que considera uma interferência de Bogotá em assuntos internos do Equador. A convocação de um embaixador para consultas é um sinal claro de insatisfação entre os dois países vizinhos.

A declaração de Petro, divulgada nas redes sociais na segunda-feira (6), gerou uma resposta imediata do presidente equatoriano Daniel Noboa. A situação envolvendo Jorge Glas, que cumpre pena por corrupção, tornou-se o centro de uma nova disputa entre as nações.

Entenda o caso Jorge Glas e a repercussão internacional

Jorge Glas, que serviu como vice-presidente do Equador entre 2013 e 2017, durante o governo de Rafael Correa, foi condenado em junho do ano passado por associação ilícita em um caso de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Ele também enfrenta condenações por suborno e uso indevido de fundos públicos.

Petro solicitou ao presidente Noboa a libertação de Glas ou sua extradição para a Colômbia, alegando a nacionalidade colombiana do ex-vice-presidente. No entanto, Noboa rejeitou veementemente essa caracterização, afirmando nas redes sociais que chamar Glas de ‘preso político’ representa um ataque à soberania equatoriana e uma violação do princípio de não intervenção.

Reação do Equador e histórico de tensões diplomáticas

Em resposta às falas de Petro, o presidente Noboa declarou que ‘há um funcionário corrupto na prisão que deve prestar contas ao Equador’. A chanceler Gabriela Sommerfeld reiterou o forte protesto do Equador, criticando os termos usados pelo presidente colombiano e a interferência em decisões de diferentes poderes do Estado equatoriano.

Sommerfeld enfatizou a importância de manter relações cordiais com os vizinhos, mas ressaltou que isso ‘não exime o Equador da responsabilidade de exigir que a Colômbia resolva as questões de segurança e controle de fronteiras’. O Equador, sob a liderança de Noboa, tem se alinhado com os Estados Unidos, enquanto a Colômbia, governada por Petro, mantém uma postura de esquerda e crítica a políticas americanas.

Diferenças políticas e comerciais entre os países

As divergências entre Equador e Colômbia não são recentes e abrangem temas como segurança de fronteira e estratégias de combate ao narcotráfico. Em fevereiro, essas tensões culminaram em uma disputa comercial, com ambos os governos impondo tarifas sobre importações do vizinho.

Mais recentemente, as relações foram abaladas por queixas colombianas sobre uma bomba encontrada em seu território, após um bombardeio militar apoiado pelos EUA no lado equatoriano da fronteira. Esses incidentes sublinham a complexidade das relações bilaterais e a sensibilidade das questões de segurança regional.

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