Ceia Ent. chega ao fim em meio a escândalos, processos judiciais e ataques em forma de música entre fundadores e ex-artistas.
A Ceia Ent., coletivo de rap que surgiu em 2016 com a promessa de revolucionar o mercado musical e gerenciar a carreira de talentos como Djonga, Tasha & Tracie, Kyan, Febem e Clara Lima, encerrou suas atividades em 2023 de forma conturbada. A empresa, fundada por Don Cesão e Nicole Balestro, deixou um rastro de polêmicas, incluindo disputas sobre direitos autorais e processos judiciais por calúnia e difamação.
Recentemente, o fim da produtora voltou à tona com o lançamento de uma série de diss tracks, músicas criadas especificamente para atacar ou desafiar outros artistas. Don Cesão iniciou a sequência com “Doze Judas Na Minha Ceia”, abordando o término da Ceia e os conflitos com os músicos. Pouco tempo depois, Clara Lima respondeu com “O Que Me Diss Respeito”, seguida por uma réplica de Don Cesão apenas 24 horas depois, evidenciando a intensidade das disputas.
A notícia foi divulgada originalmente pelo g1, que apurou os detalhes por trás da ascensão e queda da Ceia Ent., detalhando as acusações de dívidas, falta de prestação de contas e a complexa teia de processos que envolvem seus ex-membros. Conforme informação divulgada pelo g1, a Ceia nasceu com um modelo de negócio inovador, baseado em acordos verbais e uma divisão de lucros de 90% para os artistas e 10% para a empresa, sem contratos formais.
Um Modelo de Negócio Inovador que Desaguou em Conflitos
Don Cesão, com sua experiência como rapper e integrante do coletivo Damassaclan, atuava como o principal olheiro de talentos, enquanto sua então esposa, Nicole Balestro, cuidava das questões burocráticas. Nicole também possuía experiência no cenário do rap, tendo trabalhado em festas e como produtora para Flora Matos. A produtora se destacou também pelas parcerias publicitárias com grandes marcas como Budweiser, Adidas e Itaú, consolidando-se como um dos principais selos do rap nacional entre 2017 e 2022.
O selo foi responsável por impulsionar carreiras como a de Djonga, que se tornou um dos rappers mais ouvidos do país, e Tasha & Tracie, que evoluíram de revelações para um duo de destaque com passagens por grandes festivais. Kyan, vindo da Praia Grande, era apontado como a grande revelação do trap nacional. A imagem transmitida era de um coletivo familiar, onde todos se apoiavam.
Acusações e Processos: O Lado Sombrio da Ceia
Apesar da fachada de união, os conflitos internos vieram à tona em março de 2023, quando Don Cesão anunciou o fim da Ceia em um vídeo no Instagram, após uma série de acusações nas redes sociais e a saída de diversos artistas. A principal reclamação dos músicos era a falta de prestação de contas por parte da gestão e a dificuldade em entender seus direitos sobre os fonogramas. Don Cesão e Nicole Balestro, por outro lado, alegaram que problemas burocráticos existiram, mas todas as contas foram prestadas, e que a ausência de contratos gerou mais dificuldades do que soluções.
Djonga foi um dos mais vocais sobre sua saída, criticando a falta de estrutura burocrática e a necessidade de um acordo para adquirir os direitos de suas músicas, mesmo sem contrato formal. Conforme apurado pelo g1, a negociação mais tensa sobre os direitos autorais foi justamente com Djonga, que comprou os direitos de seus dois últimos álbuns pela Ceia, “NU” e “Histórias do Meu Lugar”, por cerca de R$ 300 mil.
Guerra Judicial: Ex-Empresária Contra Artistas de Peso
A situação escalou para a esfera judicial, com quatro artistas processando a ex-empresária Nicole Balestro. Kyan, Djonga, Tasha e Tracie, em conjunto, entraram com ações criminais por crimes contra a honra e processos cíveis por calúnia e difamação contra Nicole. Em julho de 2025, Nicole Balestro usou seu Instagram para afirmar que os artistas deviam quantias significativas a ela, variando entre R$ 200 mil e R$ 600 mil, alegações negadas veementemente pelos músicos.
Entre as acusações de Nicole, estão o suposto envolvimento de Kyan em um acidente com um carro alugado em seu nome, que resultou em perda total. Nicole afirma que Kyan estava dirigindo, o que ele nega. Em relação a Djonga, a ex-empresária alega ter coberto uma dívida do artista referente a um adiantamento de contrato com a Altafonte. Para Tasha & Tracie, Nicole alega ter custeado procedimentos estéticos. Todos esses processos tramitam em segredo de justiça.





