CEO do Duolingo usa motoristas de táxi para avaliar candidatos em processo seletivo
No mundo competitivo do mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia, os processos seletivos têm se tornado cada vez mais rigorosos e, por vezes, surpreendentes. O CEO do Duolingo, Luis von Ahn, revelou um método pouco convencional que a empresa utiliza para avaliar potenciais contratados. A forma como um candidato interage com o motorista de táxi, no trajeto do aeroporto até o escritório, pode ser o fator determinante para sua contratação, independentemente de suas qualificações.
Essa abordagem, segundo von Ahn, reflete a crença de que a maneira como alguém trata profissionais em posições de serviço, como motoristas, indica sua atitude geral e como ele se comportará com colegas de trabalho, especialmente aqueles em hierarquias inferiores. A estratégia visa identificar não apenas competência técnica, mas também caráter e habilidades interpessoais essenciais para a cultura da empresa.
A revelação foi feita durante sua participação no podcast “The Burnouts”, de Phoebe Gates e Sophia Kianni. O CEO do Duolingo, que cofundou o aplicativo de aprendizado de idiomas em 2011, detalhou como essa prática se tornou um componente crucial na tomada de decisão, complementando as avaliações tradicionais de currículo e entrevistas. Acompanhe os detalhes dessa tática e outras similares que estão moldando o futuro da contratação.
O “Teste do Motorista”: Uma Avaliação Inesperada de Caráter
Luis von Ahn compartilhou um exemplo marcante em que o Duolingo buscava um diretor financeiro há cerca de um ano. O candidato em questão possuía um currículo excepcional e foi muito bem avaliado pelo comitê de contratação. No entanto, um detalhe crucial mudou o rumo da decisão: o candidato foi **extremamente grosseiro com o motorista do táxi** durante o percurso.
“E isso nos fez não contratá-lo”, afirmou von Ahn, explicando que a empresa, cujo valor de mercado é de US$ 4,65 bilhões, **paga motoristas de táxi para observarem e reportarem o comportamento dos candidatos**. A lógica por trás dessa prática é clara: “Acreditamos que, se a pessoa for grosseira com o motorista, provavelmente também será com outras pessoas, especialmente com quem estiver abaixo dela”, ressaltou o CEO.
Mercado de Trabalho Competitivo e Avaliações Veladas
A tática do Duolingo surge em um cenário de **mercado de trabalho cada vez mais competitivo**, onde as contratações em tecnologia, por exemplo, desaceleraram significativamente. Relatórios indicam uma queda de cerca de 36% nas vagas publicadas em comparação com os níveis pré-2020, enquanto milhares de profissionais de tecnologia foram demitidos. Os processos seletivos também se tornaram mais longos e complexos, com múltiplas rodadas de entrevistas, estudos de caso e avaliações de personalidade.
Nesse contexto, avaliações de cultura e comportamento têm se tornado **padrão nos processos seletivos, muitas vezes de forma discreta**, sem que o candidato perceba que está sendo avaliado. O objetivo é ir além das habilidades técnicas e verificar a adequação do candidato à cultura da empresa e sua capacidade de colaborar e manter um bom ambiente de trabalho.
Outras Táticas Inusitadas para Avaliar Candidatos
O CEO do Duolingo não é o único a empregar métodos fora do comum. Trent Innes, ex-diretor-geral da Xero e atual diretor de crescimento da SiteMinder, utiliza o que chama de **”teste da xícara de café”**. Durante a entrevista, ele leva o candidato à cozinha para pegar uma bebida e observa se, ao final, a pessoa se **dispõe a levar a xícara vazia de volta para a cozinha**.
Para Innes, essa atitude simples demonstra atitude e responsabilidade. “Você pode desenvolver habilidades, adquirir conhecimento e experiência, mas, no fim das contas, tudo se resume à atitude e a atitude de que falamos muito é a ideia de ‘lave sua xícara de café'”, explicou. Candidatos que deixam a xícara suja para trás são automaticamente descartados.
Atitude e Caráter Valorizados por Grandes Líderes
Além dessas táticas específicas, muitos CEOs de grandes empresas enfatizam a importância da **atitude e do jogo de cintura**. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, declarou em entrevista ao LinkedIn que se importa tanto com a forma como um funcionário trata caixas, seguranças e recepcionistas quanto com a maneira como lida com outros CEOs. Ele ressalta que a **atitude é fundamental para o sucesso e para a manutenção de uma cultura empresarial positiva**.
A Amazon, por exemplo, estruturou seu processo de contratação em torno de seus Princípios de Liderança, treinando entrevistadores para identificar sinais de alerta comportamentais. Essas práticas demonstram uma tendência crescente de valorizar não apenas o que o candidato sabe, mas, principalmente, quem ele é e como se comporta no dia a dia.





