Lula na Europa: 15 acordos com Espanha e busca por apoio global em viagem estratégica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início a uma viagem de cinco dias pela Europa, com um primeiro compromisso de grande relevância em Barcelona, na Espanha. Recebido pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, Lula liderou uma comitiva com 11 ministros.
Durante o encontro, os governos de Brasil e Espanha assinaram 15 acordos de cooperação. As áreas abrangidas demonstram a amplitude das parcerias, incluindo minerais críticos, assuntos consulares, economia social, cultura, ciência e tecnologia, igualdade de gênero e racial, e adaptação a mudanças climáticas.
Essa visita, conforme informações divulgadas, marca um passo importante na diplomacia brasileira, buscando fortalecer laços e alinhar estratégias com parceiros europeus em um cenário global complexo. A comitiva brasileira é composta por ministros de áreas chave, além de representantes de instituições como o BNDES e a Fiocruz.
Fortalecimento de laços e declaração conjunta sobre ordem mundial
Um dos pontos altos da visita foi a assinatura de uma declaração conjunta entre Brasil e Espanha. Neste documento, ambos os países explicitamente rejeitam o unilateralismo e a ameaça ou o uso da força contra a independência dos Estados, sublinhando a centralidade das Nações Unidas, sem citar nominalmente potências específicas. A declaração também sinaliza o desejo de que um latino-americano ocupe a Secretaria-Geral da ONU, com o Brasil buscando apoio para a candidatura de Michelle Bachelet em 2027.
Apesar do apoio à ONU, Lula expressou preocupação com o enfraquecimento da instituição. “As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU. As decisões da ONU não são cumpridas”, afirmou o presidente em coletiva de imprensa ao lado de Sánchez, ressaltando a necessidade de maior efetividade nas ações globais.
Fórum Democracia para Sempre: unindo lideranças progressistas
O sábado (17) foi marcado pela realização do quarto encontro do Fórum Democracia para Sempre, iniciativa criada por Lula e Sánchez em 2024. O evento reuniu uma dúzia de chefes de Estado progressistas, com o objetivo de discutir e propor soluções para a chamada “onda mundial de direita”.
Entre os líderes confirmados estavam a presidente do México, Claudia Sheinbaum, os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, do Uruguai, Yamandú Orsi, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Representantes europeus, como os vice-premiês da Alemanha e do Reino Unido, também participaram, reforçando o caráter internacional do fórum.
Lula destacou a importância crescente do fórum para unir forças progressistas, lembrando de encontros anteriores com a presença de figuras como Bill Clinton e Tony Blair. Ele comentou, em tom jocoso, como a busca por alianças levou à adoção do termo “democrata” para incluir líderes como Emmanuel Macron e Joe Biden, em vez de “progressista”, para ampliar o alcance do diálogo.
Agenda europeia e acordos comerciais
Após a Espanha, a agenda de Lula inclui visitas à Alemanha e Portugal. Na Alemanha, o presidente participará da Feira Industrial de Hannover, um importante evento de negócios e tecnologia. Em Portugal, encontrará o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro em Lisboa, antes de retornar ao Brasil na próxima terça-feira (21).
Os três países visitados são fundamentais para o impulso do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que tem previsão de entrar em vigor provisoriamente em 1º de maio, após 26 anos de negociações. A Espanha, em particular, é a oitava maior parceira comercial do Brasil, com um intercâmbio bilateral em 2023 que atingiu US$ 12,6 bilhões, impulsionado por exportações brasileiras de petróleo, soja e minerais.
Reuniões estratégicas e foco em negócios
Além dos encontros com chefes de Estado, em Barcelona, Lula participou de reuniões com empresários brasileiros e espanhóis dos setores de agronegócio, energia e infraestrutura. Ele também discursou no evento “Mobilização Progressista Global”, organizado pela sociedade civil e sindicatos, demonstrando o alcance de sua agenda.
A viagem reflete a estratégia do governo brasileiro de retomar um papel ativo na diplomacia global, buscando parcerias estratégicas, promovendo seus interesses comerciais e defendendo pautas importantes como o desenvolvimento sustentável e a igualdade. A proximidade entre Lula e Sánchez, com encontros frequentes desde 2023, evidencia a solidez da relação bilateral e a convergência de visões sobre os desafios contemporâneos.





