A acusação central é de que Bang Si-hyuk teria enganado investidores em 2019, sugerindo que a abertura de capital de sua empresa, a Hybe, não estava nos planos. No entanto, segundo a polícia, ele estaria secretamente orquestrando a operação, induzindo investidores a vender suas ações a um fundo de private equity com o qual Bang teria ligações. Essa manobra, segundo as autoridades, teria gerado lucros ilícitos de cerca de 200 bilhões de won, equivalentes a aproximadamente R$ 680 milhões.
Bang Si-hyuk, conhecido como o cérebro por trás do fenômeno BTS, nega veementemente as acusações. Ele afirma ter agido dentro da lei e que sua paixão pela música, que o levou a cofundar a JYP Entertainment e, posteriormente, a criar a Big Hit Entertainment (hoje Hybe), sempre foi pautada pela ética. O caso, que já dura anos, envolveu buscas na sede da Hybe e pressões para que ele deixasse a presidência do conselho da empresa.
O pedido de mandado de prisão surge em um momento crucial para a Hybe, com o BTS iniciando uma turnê mundial de retorno após um hiato. Analistas preveem que a turnê possa arrecadar mais de US$ 1 bilhão, impulsionando ainda mais o valor de mercado da empresa. A situação legal do fundador, no entanto, lança uma sombra sobre esse otimismo, enquanto o mercado de ações sul-coreano lida com seu histórico de manipulação.
O cerne da acusação: Negociações antes da IPO
A investigação policial aponta que, em dezembro de 2024, o regulador financeiro da Coreia do Sul iniciou uma apuração sobre suspeitas de acordos de divisão de lucros entre Bang Si-hyuk e fundos de private equity. Esses acordos teriam ocorrido antes da estreia da Hybe na bolsa de valores, sem a devida divulgação pública. A polícia alega que Bang induziu investidores e empresas de venture capital a acreditar que não havia planos iminentes para a abertura de capital.
Essa suposta desinformação teria levado os investidores a venderem suas participações na Hybe para um fundo de private equity. Posteriormente, Bang teria recebido uma fatia de 30% dos lucros obtidos de forma ilícita, estimada em cerca de 200 bilhões de won (R$ 680 milhões), quando esse fundo alienou sua participação após a IPO da Hybe. A Hybe, por sua vez, nega irregularidades, afirmando ter fornecido o acordo em questão aos responsáveis pela oferta pública inicial, que teriam considerado a divulgação desnecessária.
A carreira de Bang Si-hyuk e o sucesso estrondoso do BTS
Bang Si-hyuk, aos 53 anos, construiu um império no K-pop. Sua jornada na música começou cedo, com composições próprias ainda na escola. Após cofundar a JYP Entertainment em 1997 e contribuir para o sucesso de grupos como g.o.d, ele fundou a Big Hit Entertainment em 2005, que viria a se tornar a Hybe. A formação do BTS, iniciada em 2010, levou anos para se consolidar, mas o resultado foi um dos grupos pop mais bem-sucedidos da história.
O BTS se tornou o primeiro sucesso sul-coreano a liderar a parada Hot 100 da Billboard e o primeiro grupo asiático a ultrapassar 5 bilhões de reproduções no Spotify. O sucesso do grupo impulsionou as ações da Big Hit Entertainment, que estrearam em outubro de 2020 a mais do dobro do preço inicial da oferta pública. A fortuna de Bang Si-hyuk, estimada em US$ 770 milhões em 2019, já superou os US$ 2 bilhões.
O contexto legal sul-coreano e o combate à manipulação de mercado
O pedido de mandado de prisão contra Bang Si-hyuk ocorre em um contexto onde a Coreia do Sul tem intensificado o combate à manipulação do mercado de ações. A legislação sul-coreana prevê penas severas para quem for condenado por obter receitas ilícitas acima de 5 bilhões de won, com penas que variam de cinco anos de prisão à prisão perpétua. Recentemente, uma nova força-tarefa foi criada com uma política de “tolerância zero” para investigar negociações ilegais.
Figuras proeminentes como o presidente da Samsung, Lee Jae-yong, e o fundador da Kakao, Kim Beom-su, já foram indiciados em casos de manipulação de ações, embora tenham sido absolvidos. A situação de Bang Si-hyuk adiciona mais um capítulo à complexa relação entre o sucesso estrondoso do K-pop e a regulamentação do mercado financeiro.
Repercussão no mercado e o futuro da Hybe
As ações da Hybe registraram queda após o anúncio do pedido de prisão, enquanto o índice Kospi subiu. Outros grandes conglomerados do K-pop também viram suas ações desvalorizarem. Os advogados de Bang Si-hyuk expressaram pesar pelo pedido de prisão e afirmaram que continuarão cooperando com as autoridades para esclarecer a posição do empresário. O futuro da Hybe e a carreira de seu fundador permanecem em um delicado equilíbrio entre o sucesso artístico e as complexas questões legais.




