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Seguro-Desemprego em Alta Mesmo com Queda do Desemprego: Entenda o Fenômeno e o Impacto nas Contas Públicas

Seguro-desemprego cresce 31% em quatro anos, superando a queda do desemprego e pressionando o orçamento público.

O Brasil vive um cenário econômico peculiar: enquanto a taxa de desemprego alcança seus menores patamares históricos, com 5,8% em fevereiro de 2026, os gastos com o seguro-desemprego disparam. Este paradoxo intriga economistas e levanta questões sobre a saúde do mercado de trabalho e o impacto nas finanças do governo.

Após atingir um mínimo de 444 mil beneficiários em julho de 2021, o número de pessoas recebendo o seguro-desemprego apresentou uma ascensão contínua, chegando a aproximadamente 560 mil no final de 2025. Os dados, divulgados com base em informações do IBGE e análises de pesquisadores como Francisco Pessoa Faria, do FGV Ibre, indicam um crescimento expressivo nos gastos totais com o benefício.

Essa expansão nos gastos, que atingiram R$ 49 bilhões em 2025, um salto de 31% em comparação a 2021, está diretamente ligada a dois fatores principais: a ampliação da base de trabalhadores com carteira assinada e o aumento real dos salários. Conforme Francisco Pessoa Faria, a criação de 5,8 milhões de novos vínculos CLT entre 2021 e 2025 expandiu o potencial de acesso ao benefício, que é um direito exclusivo de trabalhadores formais demitidos sem justa causa.

Salários Maiores, Benefício Mais Caro

Um dos fatores cruciais para o aumento dos gastos é a valorização salarial no setor privado. Entre dezembro de 2021 e dezembro de 2025, os salários tiveram um ganho real de 8,7%. Essa recuperação pós-pandemia e o aperto na oferta de mão de obra fizeram com que o valor médio do seguro-desemprego subisse de R$ 1.663 para R$ 1.843, um aumento de 10,8% acima da inflação. Em fevereiro de 2026, o ticket médio já alcançava R$ 1.945,63, evidenciando o efeito multiplicador sobre as despesas.

Rotatividade Estável, Demissões em Volume

Apesar do aumento absoluto no número de demissões sem justa causa, que em 2023 superou em 1,1 milhão o patamar pré-pandemia, a taxa de rotatividade do mercado formal se mantém estável. A proporção entre demissões e o total de empregos formais permanece entre 23% e 24%, indicando que o crescimento das demissões é uma consequência natural da expansão da base de trabalhadores formais, e não de uma aceleração na frequência com que as empresas dispensam seus funcionários.

É importante notar que o aumento no número de pessoas pedindo demissão, um sinal de mercado de trabalho aquecido, não impacta diretamente os gastos com seguro-desemprego, pois este benefício é destinado apenas a demissões sem justa causa.

Impacto nas Contas Públicas

O seguro-desemprego é financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), cujas receitas provêm de contribuições de empresas e trabalhadores. Contudo, quando as despesas excedem a arrecadação, o Tesouro Nacional é acionado para cobrir a diferença. Isso significa que, mesmo com um financiamento específico, o aumento dos gastos com o benefício acaba pressionando o orçamento geral do governo.

Essa necessidade de aportes do Tesouro pode deslocar recursos de outras áreas prioritárias, como saúde e educação, impactando a disponibilidade geral de verbas públicas e exigindo um monitoramento constante da gestão fiscal.

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