IA Cria Exército de Influenciadores Pró-Trump: Deuses, América e Fake News em Ascensão nas Redes Sociais
O cenário político online está passando por uma transformação digital sem precedentes. Influenciadores virtuais, gerados por inteligência artificial, estão ganhando espaço nas redes sociais, promovendo discursos pró-Donald Trump com uma estratégia agressiva e em larga escala. Esses avatares, que variam de loiras sedutoras a homens carismáticos, compartilham mensagens semelhantes sobre o amor a Deus, à América e a Trump, além de críticas à “esquerda radical”.
A disseminação desses influenciadores de IA levanta sérias preocupações sobre a manipulação da opinião pública e a facilidade com que a tecnologia pode ser usada para fins políticos. A autenticidade das mensagens e a origem dos criadores por trás dessas contas permanecem um mistério, em um contexto de eleições cada vez mais acirradas.
O The New York Times iniciou uma investigação que identificou centenas de contas em plataformas como TikTok, Instagram e Facebook dedicadas a disseminar conteúdo pró-Maga (Make America Great Again) gerado por IA. Algumas dessas contas já acumulam dezenas de milhares de seguidores e centenas de milhares de visualizações, demonstrando um alcance significativo e preocupante.
A facilidade de criar e distribuir esses avatares digitais tem diminuído consideravelmente, com empresas especializadas oferecendo a produção em massa a preços cada vez mais baixos. Essa tendência sugere um esforço coordenado para influenciar eleitores conservadores, um público já receptivo a mensagens digitais empacotadas, como memes e deepfakes.
Avatares sedutores e mensagens repetitivas inundam redes sociais
Vídeos curtos e dinâmicos mostram avatares de IA em cenários variados, como autódromos, estádios e quadras de basquete, sempre com uma mensagem padronizada: “Sou nova aqui e amo Deus, a América e Trump!!”. A repetição e a semelhança gramatical em legendas como “Se você apoia Trump, acabou de fazer uma amiga” são marcas registradas dessas contas. O próprio Donald Trump já repostou conteúdo de um desses avatares, aumentando a visibilidade da campanha artificial.
A investigação do The New York Times, iniciada em janeiro, descobriu pelo menos 304 contas no TikTok. Pesquisadores da Universidade Purdue e da empresa Alethea identificaram dezenas de outras contas em diversas plataformas, incluindo Instagram e YouTube. O padrão é claro: avatares atraentes, com vozes realistas, que discorrem sobre temas políticos diversos, muitas vezes com informações questionáveis ou acusações infundadas.
Origens misteriosas e o poder da IA na manipulação eleitoral
A identidade dos criadores dessas contas de IA é desconhecida. Especialistas apontam para a possibilidade de operações de influência estrangeira, campanhas contratadas ou experimentos de marketing. O que é certo é que a tecnologia para criar esses avatares está cada vez mais acessível, permitindo a proliferação em massa. Essas contas, muitas vezes sem identificação clara como geradas por IA, buscam criar uma falsa sensação de consenso e apoio popular.
Pesquisadores observam que, ao contrário de tendências de esquerda, não foram encontradas redes semelhantes de influenciadores de IA promovendo outras agendas políticas. Isso reforça a ideia de um direcionamento específico para o público conservador, explorando um ambiente digital já saturado de desinformação.
Plataformas e especialistas reagem à proliferação de conteúdo de IA
O TikTok informou que realizou uma análise das contas identificadas e não encontrou evidências de “operações de influência oculta”, classificando-as como spam. A plataforma afirmou estar em processo de remoção dessas contas. O YouTube também declarou estar analisando e encerrando canais que violam suas políticas de spam e práticas enganosas.
Apesar das ações das plataformas, a criação de conteúdo por IA se torna cada vez mais barata e eficaz. Segundo Zuhair Lakhani, cofundador da startup de publicidade de IA Doublespeed, cada postagem pode custar entre US$ 1 e US$ 3. Lakhani revelou que sua empresa recusou contratos políticos, citando questões morais, mas alertou que “há muitas empresas por aí que estão aceitando esses contratos”.
Autenticidade versus eficiência: o dilema da IA na política
O Comitê Nacional Republicano afirmou não estar envolvido com essas contas, embora reconheça o potencial da IA como ferramenta de campanha. Zach Parkinson, diretor de comunicações do grupo, ressaltou que a tecnologia “não é uma bala de prata” e que a autenticidade e a mensagem “ainda reinam”. No entanto, a capacidade da IA de gerar um volume massivo de conteúdo a baixo custo representa um desafio significativo para a integridade do debate político online.
A evolução da inteligência artificial na criação de conteúdo fotorrealista torna cada vez mais difícil a identificação de manipulações. A Meta, por exemplo, exige a divulgação de conteúdo gerado por IA, mas reconhece a complexidade dessa tarefa. A proliferação de influenciadores virtuais em campanhas políticas aponta para um futuro onde a linha entre o real e o artificial se torna cada vez mais tênue.





