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Putin se Refugia em Bunkers: Segurança Máxima e Isolamento Crescente do Líder Russo em Meio a Temores de Assassinato

Putin intensifica segurança e se isola em bunkers na Rússia por medo de assassinato

A Rússia ampliou drasticamente os protocolos de segurança em torno do presidente Vladimir Putin. Fontes próximas ao líder russo e a serviços de inteligência europeus indicam um aumento nos temores de atentados, levando a um maior isolamento do presidente em meio à condução da guerra na Ucrânia.

Desde março, o Kremlin demonstra preocupação com a possibilidade de um golpe de Estado ou tentativa de assassinato, especialmente com o uso de drones. Essa apreensão se intensificou após incidentes como a operação ucraniana que atingiu aeródromos russos no ano passado.

As informações são baseadas em relatos de pessoas com acesso a círculos próximos a Putin em Moscou e a serviços de inteligência europeus, conforme divulgado pelo Financial Times. O Kremlin não comentou as alegações.

Isolamento e Bunkers: O Novo Cotidiano de Putin

O presidente Vladimir Putin tem passado mais tempo em bunkers subterrâneos, especialmente na região de Krasnodar, no sul da Rússia. De lá, ele tem monitorado de perto os detalhes da guerra na Ucrânia. A mídia estatal tem recorrido a imagens gravadas para manter uma imagem de normalidade.

O isolamento de Putin já vinha se acentuando desde a pandemia de Covid-19. Contudo, o receio de ataques, especialmente com drones, tem levado a medidas de segurança ainda mais rigorosas. O Serviço Federal de Proteção (FSO) intensificou as verificações para pessoas que se reúnem com o presidente, que também reduziu suas aparições públicas.

Residências em Moscou e em Valdai foram deixadas de lado pela família presidencial. A segurança em torno de Putin é tão estrita que funcionários próximos, como cozinheiros e fotógrafos, foram proibidos de usar celulares ou dispositivos com acesso à internet perto dele. Sistemas de vigilância foram instalados em suas residências.

Preocupações com Segurança se Estendem a Generais

As preocupações com a segurança na Rússia não se limitam a Vladimir Putin. Relatos indicam que, em reuniões com o presidente no final do ano passado, representantes de serviços de segurança culparam uns aos outros por falhas na proteção de altos escalões militares. O assassinato do tenente-general Fanil Sarvarov, ligado à Ucrânia, intensificou essas tensões internas.

Alexander Bortnikov, chefe do FSB, atribuiu a responsabilidade ao Ministério da Defesa por não possuir uma unidade dedicada à proteção de altos funcionários. Viktor Zolotov, chefe da Guarda Nacional, negou o envolvimento, citando recursos limitados.

Em resposta, Putin solicitou calma e determinou que o FSO garantisse a segurança de dez generais de alta patente. Anteriormente, apenas o chefe do Estado-Maior, Valeri Gerasimov, recebia tal proteção.

Foco na Guerra e Distanciamento da Política Interna

O endurecimento das medidas de segurança coincide com uma mudança no foco de Putin, que tradicionalmente se dedicava mais à geopolítica. Atualmente, ele tem priorizado a guerra na Ucrânia, deixando em segundo plano os assuntos internos do país. Reuniões diárias com autoridades militares detalham aspectos operacionais do conflito.

Analistas apontam que Putin dedica cerca de 70% do seu tempo à gestão da guerra, com os outros 30% voltados para encontros com líderes estrangeiros ou questões econômicas. O acesso ao presidente agora é mais provável para aqueles envolvidos diretamente nas operações militares.

Esse distanciamento tem gerado frustração entre a população russa, que lida com os crescentes problemas internos e o cansaço da guerra. Pesquisas indicam que os índices de aprovação de Putin caíram para níveis baixos, comparáveis aos observados durante a mobilização parcial em 2022.

Descontentamento Popular e Sinais de Alerta para o Kremlin

As redes sociais russas têm sido palco de críticas de cidadãos e influenciadores sobre as restrições de internet, impostos e outras questões internas. Um vídeo da blogueira Viktoria Bonia, dirigido a Putin, criticando o medo que as pessoas sentem dele, viralizou e recebeu mais de 1,5 milhão de curtidas.

O Kremlin, ao reconhecer ter visto o vídeo, fez com que Putin abordasse publicamente as repressões à internet, pedindo às autoridades que informassem os cidadãos de forma adequada, em vez de se concentrarem apenas em proibições.

Em 27 de abril, Putin realizou uma rara aparição pública em São Petersburgo, visitando uma escola de esportes. O Kremlin utiliza essas interações encenadas para projetar uma imagem de acessibilidade do presidente. Especialistas interpretam essas ações, como beijar crianças publicamente, como uma tentativa de reconectar-se com a população, em um sinal claro de preocupação com a queda em seus índices de aprovação.

As poucas viagens e reuniões de Putin em 2024, em comparação com anos anteriores, reforçam a tese de segurança mais rígida e menor foco em assuntos internos. A pesquisadora Tatiana Stanovaia, do Carnegie Russia Eurasia Center, avalia que a lacuna entre o que Putin está disposto a lidar e o que se espera dele tende a aumentar, com surtos de descontentamento público se tornando mais frequentes.

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