CEO de gigante da saúde sugere que ânsia por equilíbrio trabalho-vida pode indicar insatisfação com a carreira.
Em um mundo cada vez mais focado em bem-estar e limites claros entre vida pessoal e profissional, a perspectiva de Iñaki Ereño, CEO da Bupa, uma das maiores empresas de saúde do mundo, surge como um contraponto provocador.
Para Ereño, a obsessão por “equilíbrio” entre trabalho e vida pode ser um sintoma de um problema mais profundo: a escolha errada de carreira. Ele argumenta que, quando se ama genuinamente o que faz, a necessidade de segregar rigidamente o tempo e a energia entre essas esferas se torna menos relevante.
Essa visão, compartilhada por outros líderes de sucesso, sugere que a verdadeira satisfação profissional pode transcender a contagem de horas e a busca por pausas constantes. Conforme divulgado pela Fortune, Ereño acredita que a chave está em encontrar uma atividade que gere engajamento a ponto de não sentir a pressão de “equilibrar” a vida.
A paixão pelo trabalho como motor da produtividade
Iñaki Ereño, que lidera uma empresa com faturamento anual de aproximadamente R$ 114 bilhões e mais de 100 mil funcionários, não vê a necessidade de um corte drástico entre o expediente e o tempo livre como algo saudável quando se é apaixonado pela profissão. Ele mesmo admite pensar em assuntos de trabalho até mesmo nos fins de semana e durante atividades de lazer, como na academia com seu filho de 23 anos.
“Eu gosto de pensar em assuntos do trabalho nos fins de semana”, declarou o executivo de 61 anos. “Respondo a e-mails, leio jornais e tudo mais. Sinto que isso é uma grande pressão? Não, eu gosto de fazer isso. Então não sinto que preciso pensar em como equilibrar minha vida.”
Para aqueles que sentem essa necessidade constante de “equilíbrio”, Ereño aconselha uma reflexão profunda sobre o que realmente gostam de fazer. A mensagem é clara: **evite trabalhos que não te satisfazem**, pois isso apenas criará a dependência de um equilíbrio artificial.
A rotina de um líder de alta performance
A rotina diária de Ereño exemplifica sua filosofia. Ele começa o dia por volta das 6h30 com café e a leitura de seis jornais no iPad, antes de seguir para o escritório em Londres. As reuniões se estendem até as 18h, seguidas por um momento de reflexão pessoal e resposta a e-mails.
Em vez de ir direto para casa, ele opta por uma caminhada de 50 minutos, que se tornou um ritual de “detox” e exercício. Na academia, seis vezes por semana, ele se dedica à musculação e à esteira, muitas vezes discutindo dilemas de trabalho com seu filho, que também atua como seu personal trainer.
Essa dedicação, segundo ele, é crucial para gerenciar uma operação global e tomar decisões que impactam milhões. A combinação de exercício físico e uma vida organizada o mantém focado e capaz de liderar sob pressão.
Opiniões alinhadas de outros magnatas
A visão de Ereño encontra eco em outras figuras proeminentes do mundo dos negócios. Lucy Guo, bilionária da Scale AI, que acorda às 5h30 e trabalha até a meia-noite, compartilha a mesma ideia: se você precisa de equilíbrio, talvez não esteja no trabalho certo.
Will.i.am, artista e empreendedor, sugere que o conceito de equilíbrio trabalho-vida implica estar trabalhando para o sonho de outra pessoa. Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, vai mais longe, afirmando que quem busca equilíbrio “não está comprometido em vencer”.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, defende uma abordagem incansável: “Trabalho desde o momento em que acordo até o momento em que vou dormir. Trabalho sete dias por semana.” Ele justifica que “se você quer fazer coisas extraordinárias, não deveria ser fácil.”
O sacrifício necessário para a excelência
Mesmo figuras como o ex-presidente Barack Obama reconhecem que carreiras de destaque exigem momentos de desequilíbrio e foco total no trabalho. Ele mencionou ter passado um ano e meio sem fins de semana de verdade durante sua campanha presidencial.
Alex Karp, CEO da Palantir, tem uma mensagem direta para a Geração Z: “Nunca conheci alguém realmente bem-sucedido que tivesse uma vida social incrível aos 20 anos.” Seu conselho é organizar a vida em torno daquilo em que se é talentoso e que se gosta de fazer.
Essas perspectivas, embora possam parecer desafiadoras, ressaltam a ideia de que **encontrar paixão no que se faz é fundamental para a realização profissional e pessoal**, transformando o esforço em recompensa e eliminando a necessidade de um “equilíbrio” constante.





