Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Prisioneiros Ucranianos Relatam Tortura Sistemática em Cárceres Russos: Violência, Maus-Tratos e Desumanização Detalhados por Ex-Agentes e Detidos

Prisioneiros Ucranianos Relatam Tortura Sistemática em Cárceres Russos: Violência, Maus-Tratos e Desumanização Detalhados por Ex-Agentes e Detidos

Milhares de soldados e civis ucranianos detidos em centros de custódia na Rússia e em territórios ucranianos ocupados denunciam sofrer torturas sistemáticas. As alegações incluem violência física e psicológica extrema, privação de cuidados médicos adequados e condições de vida desumanas. Esses relatos emergem de cerca de dez testemunhos coletados pela agência de notícias AFP, além de relatórios de ONGs e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Ex-prisioneiros ucranianos e familiares de detidos descrevem um processo de desumanização e sofrimento. Três ex-membros da administração penitenciária russa, que desertaram e fugiram do país, confirmaram casos de violência generalizada, onde, segundo um deles, “tudo era permitido”. Essas informações foram obtidas pela AFP e compartilhadas com o diretor da Gulagu.net, Vladimir Osechkin, que documenta abusos no sistema penitenciário russo.

As autoridades ucranianas, citadas em um relatório da OSCE, indicam que 89% das pessoas libertadas relataram ter sofrido maus-tratos em cativeiro, com 42% dos casos envolvendo violências sexuais. A maioria dos detidos foi privada de comunicação com o mundo exterior, uma tática que visa isolá-los e fragilizá-los psicologicamente, como em tempos do Gulag soviético. Conforme relatado por Iaroslav Rumiantsev, ex-soldado ucraniano que passou mais de três anos em cativeiro, a intenção é fazer com que os detidos acreditem que ninguém os espera.

Violência Sem Restrições e Ocultação Sistemática

Um ex-agente penitenciário russo, identificado como Serguei, detalhou como seu chefe instruiu sua unidade a não aplicar as normas em vigor no tratamento de prisioneiros de guerra ucranianos. “Em outras palavras, deu permissão para usar força física sem restrições. E ninguém seria responsabilizado”, afirmou Serguei, que se recusou a participar dos atos violentos e pediu demissão. Ele descreveu que muitos de seus colegas iam às missões “com alegria”, contentes por poder usar “toda a violência que quisessem”.

A promotoria ucraniana aponta que a presença de prisioneiros ucranianos foi constatada em pelo menos 201 centros de detenção em 49 regiões da Rússia, além de 116 locais de encarceramento na Ucrânia ocupada. Em fevereiro de 2026, cerca de 7.000 prisioneiros de guerra ucranianos estavam em mãos russas, segundo o presidente Volodimir Zelenski, somados a 15,3 mil civis “detidos de forma ilegal”, conforme dados do escritório ucraniano de direitos humanos.

A violência em detenção, que se intensificou com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, tem sido documentada. Nos últimos quatro anos, pelo menos 143 prisioneiros ucranianos, incluindo seis civis, foram confirmados como mortos em prisões russas, segundo a promotoria ucraniana.

Condições Desumanas e Tortura Psicológica

Iaroslav Rumiantsev, que foi feito prisioneiro em Mariupol em maio de 2022, relatou sua experiência em quatro prisões russas. Ele descreveu um “comitê de boas-vindas” na chegada a uma das prisões, onde cerca de 250 prisioneiros foram forçados a correr por um corredor de guardas que os espancavam. Essa prática, segundo ele, visa reduzir os detidos a um estado de animais aterrorizados, destruindo sua identidade e senso de valor humano.

O Escritório de Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR) da OSCE publicou um relatório em setembro de 2025 com base em testemunhos de cerca de 200 ex-prisioneiros ucranianos. Os métodos de tortura relatados incluem choques elétricos, ataques de cães, estupros, simulações de execução, exercícios físicos extremos e a obrigação de manter posições dolorosas. A comida também é usada como forma de punição, com relatos de detidos comendo baratas e ratos crus por fome extrema.

As condições de higiene eram frequentemente descritas como “espantosas”, com celas frias, colchões sujos e infestados de insetos, e a presença de doenças como tuberculose e HIV. A humilhação era constante, com regras como a proibição de olhar os guardas nos olhos e punições severas, como permanecer de pé por longos períodos sem permissão para ir ao banheiro.

A Busca por Notícias e a Luta por Justiça

Familiares de prisioneiros ucranianos enfrentam uma angústia constante pela falta de notícias. Natalia Kravtsova, mãe de Artem, combatente da brigada Azov capturado em Mariupol, não tem certeza se seu filho ainda está vivo após mais de um ano de detenção. A comunicação com os detidos é extremamente difícil, com poucas cartas chegando e a incerteza prevalecendo a cada anúncio de troca de prisioneiros.

Aksinia Bobruiko, refugiada na Alemanha, luta para obter informações sobre sua mãe, Olga Baranevska, uma civil detida em Melitopol. Baranevska, professora, foi condenada a seis anos de prisão por suposta posse de “explosivos”. Bobruiko, com a ajuda de uma ONG, busca provas de vida e informações sobre o estado de saúde de sua mãe, que sofre de graves problemas de saúde.

O ativista Vladimir Osechkin pede processos judiciais internacionais contra os responsáveis pelos abusos e a revelação de suas identidades, prometendo que “vamos encontrá-los e punir a todos”. A busca por justiça e o reconhecimento dos crimes cometidos contra os prisioneiros ucranianos continuam sendo um clamor por parte das vítimas e de seus familiares.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos