Governo Lula avalia financiar campanha de Michelle Bachelet para ONU após Chile retirar apoio
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está explorando alternativas para fornecer apoio financeiro à candidatura de Michelle Bachelet para o cargo de secretária-geral da ONU. A necessidade de custear a logística da campanha se tornou mais urgente após o Chile, atualmente sob o governo de direita de José Antonio Kast, retirar seu apoio oficial, que incluiria despesas com passagens aéreas e hospedagem.
Internamente, o governo brasileiro analisa tanto a viabilidade legal para realizar um aporte financeiro quanto as possíveis fontes de onde os recursos seriam originados. No entanto, até o momento, nenhuma decisão concreta foi tomada sobre o assunto.
A disputa pelo posto mais alto da ONU é marcada por uma campanha extensa, onde os candidatos frequentemente viajam a países considerados influentes para se reunir com líderes e buscar votos. A ex-presidente chilena busca o apoio internacional para sua nomeação, enfrentando desafios significativos na obtenção de recursos. Conforme informações divulgadas, o tema do financiamento da campanha de Bachelet não foi discutido diretamente entre ela e o presidente Lula durante o recente encontro no Palácio do Planalto.
Apoio Inicial e Retirada do Chile
O nome de Michelle Bachelet foi lançado oficialmente na disputa em 2 de fevereiro, com o apoio conjunto de Chile, México e Brasil. Na época, José Antonio Kast já havia sido eleito no Chile, mas ainda não havia assumido o cargo, e o país era governado pelo esquerdista Gabriel Boric, aliado de Lula e da mexicana Claudia Sheinbaum. Contudo, em 25 de março, Kast retirou o endosso chileno, transformando Bachelet em uma candidata patrocinada principalmente por Brasil e México.
Antes da retirada do apoio, ainda durante o governo Boric, o Chile havia destinado cerca de US$ 57 mil para os gastos da campanha de Bachelet. A imprensa chilena reportou que, ao todo, foram gastos aproximadamente US$ 28 mil (equivalente a R$ 155 mil) com as despesas logísticas até os primeiros meses do ano.
Estratégias do Brasil para Apoio Logístico
O Brasil, que até agora não realizou gastos diretos para a campanha de Bachelet, tem se empenhado ativamente na defesa de seu nome tanto na ONU quanto em encontros bilaterais. Uma das principais dificuldades é a base legal para que o governo brasileiro custeie diretamente as despesas da candidatura, visto que Bachelet não é funcionária pública brasileira. Para contornar essa questão, uma das possibilidades em estudo no Planalto é a edição de um decreto presidencial que autorizaria o gasto.
Um eventual apoio financeiro conjunto entre Brasil e México seria destinado principalmente a cobrir os custos de passagens aéreas, essenciais para o plano de Bachelet de visitar os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, além de outras viagens consideradas necessárias. A estratégia inclui a utilização da estrutura das embaixadas brasileiras e mexicanas nos países visitados, quando for o caso, para otimizar os recursos.
Desafios na Seleção para a ONU
Pelas regras das Nações Unidas, o candidato a secretário-geral precisa da aprovação do Conselho de Segurança, o que significa que nenhum dos membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China) pode vetar o nome. Após essa etapa, a nomeação segue para a Assembleia-Geral, que geralmente é uma formalidade. No entanto, Bachelet pode enfrentar vetos, especialmente dos Estados Unidos sob um possível governo de Donald Trump e da China, em razão de um relatório que ela produziu sobre violações de direitos humanos contra os uigures em território chinês.
Apesar das possíveis resistências, o governo Lula considera a candidatura de Bachelet um tema de princípio e uma defesa necessária do multilateralismo e do sistema ONU, especialmente em um período de crescente enfraquecimento da organização. Espera-se que Bachelet retorne a Nova York no final de junho para uma nova rodada de conversas com representantes dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
Visão dos Aliados de Bachelet
Pessoas próximas a Michelle Bachelet afirmam que a ajuda financeira brasileira e mexicana não seria crucial para o sucesso de sua candidatura. Elas indicam que a ex-presidente possui uma agenda internacional intensa, com diversos convites de instituições, e pretende organizar suas reuniões de campanha com base nesse calendário já estabelecido. Outros candidatos à liderança da ONU incluem o argentino Rafael Grossi, a costarriquenha Rebeca Grynspan e o ex-presidente senegalês Macky Sall.





