Lula desvia de polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e banqueiro preso, afirmando ser “caso de polícia”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à fábrica de fertilizantes Fafen, em Camaçari, na Bahia, foi questionado sobre os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Vorcaro, preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras, teria articulado repasses de R$ 134 milhões para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em resposta direta, Lula declarou que a questão é de competência policial e não deve ser comentada por ele, distanciando-se do assunto.
Senador Flávio Bolsonaro sob investigação por suposta intermediação de verbas
A polêmica gira em torno de uma reportagem do portal The Intercept Brasil, que revelou uma suposta articulação do senador Flávio Bolsonaro para direcionar R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo seria financiar a produção de um filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Daniel Vorcaro está detido por suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras através do Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central no final do ano passado. A instituição financeira não conseguiu honrar com os depósitos e aplicações de seus clientes.
A reportagem divulgou um áudio em que o próprio senador Flávio Bolsonaro discute a importância do filme e a necessidade de envio de recursos para cobrir “parcelas para trás”, indicando a continuidade dos pagamentos.
Detalhes das transações financeiras e o envolvimento do advogado de Eduardo Bolsonaro
Mensagens de WhatsApp vazadas, documentos e comprovantes bancários sugerem que parte do valor de R$ 134 milhões teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025. As últimas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e para o banqueiro.
Pouco mais de uma semana após essas trocas de mensagens, o Banco Central interveio no Master, e a Polícia Federal efetuou a prisão de Vorcaro. O banqueiro está detido em Brasília e negocia um acordo de delação premiada.
O apoio financeiro ao filme, que teria produção internacional, envolveria transferências de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos. Este fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Denúncias e a defesa de Flávio Bolsonaro
Deputados federais da base governista já apresentaram denúncias à Polícia Federal e à Receita Federal para apurar possíveis ilegalidades nas transações e a relação dos recursos com propina.
Em resposta à reportagem, Flávio Bolsonaro inicialmente negou a situação, mas depois admitiu ter solicitado o recurso e mantido contato com Vorcaro, classificando a questão como privada. Ele enfatizou que não houve uso de dinheiro público nem da Lei Rouanet.
O senador afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro e antes de quaisquer acusações públicas contra o banqueiro. Flávio Bolsonaro também negou ter combinado vantagens indevidas ou intermediado negócios com o governo, contrastando a situação com o que ele descreve como “relações espúrias do governo Lula com Vorcaro”.




