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STF Investiga Mário Frias: Emendas de R$ 2 Milhões Para Filme de Bolsonaro Viram Caso na Justiça

STF apura se emendas parlamentares de Mário Frias financiaram filme sobre Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) está investigando possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP). O foco da apuração é o direcionamento de cerca de R$ 2 milhões para a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade ligada à produtora do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A denúncia partiu da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que aponta para uma possível articulação para o financiamento de produções com viés ideológico. A investigação busca esclarecer se houve desvio de finalidade na aplicação dos recursos públicos.

Apesar das tentativas de intimação, o deputado Mário Frias ainda não prestou os devidos esclarecimentos ao ministro Flávio Dino, do STF. Oficiais de justiça enfrentam dificuldades para localizá-lo, com relatos de que ele estaria em compromissos de campanha, dificultando o andamento do processo. Conforme informações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, a apuração visa entender a conexão entre emendas parlamentares e o financiamento de obras cinematográficas com conteúdo político.

Deputado Mário Frias é alvo de investigação no STF por emendas suspeitas

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que o deputado Mário Frias preste esclarecimentos em um prazo de cinco dias sobre a denúncia de Tabata Amaral. A acusação central é que Frias teria destinado, no mínimo, R$ 2 milhões a uma ONG presidida por Karina Ferreira da Gama. Esta mesma empresária está à frente da Go Up Entertainment, a empresa responsável pela produção do filme “Dark Horse”, que tem estreia prevista para setembro, próximo às eleições presidenciais.

A investigação se baseia em reportagem do The Intercept Brasil, que revelou que a Academia Nacional de Cultura recebeu R$ 2,6 milhões de emendas de deputados do Partido Liberal (PL), sigla de Bolsonaro. Além de Frias, outros deputados como Bia Kicis e Marcos Pollon também foram mencionados na denúncia.

Tabata Amaral sugere a formação de um grupo econômico que poderia dificultar o rastreamento de verbas públicas, levantando a hipótese de financiamento indireto de produções cinematográficas de cunho ideológico. A dificuldade em intimar Mário Frias tem sido um obstáculo para o avanço da investigação no STF.

Bia Kicis e Marcos Pollon já prestaram esclarecimentos sobre emendas

Diferentemente de Mário Frias, os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon já apresentaram suas defesas ao ministro Flávio Dino dentro do prazo estipulado. Marcos Pollon admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura de São Paulo, visando a produção de uma série documental. No entanto, ele alega que o projeto não avançou por “incapacidade da entidade beneficiária” e que os recursos foram redirecionados para a área da saúde, especificamente para o Hospital de Amor de Barretos.

Bia Kicis, por sua vez, confirmou ter destinado R$ 150 mil para a mesma série documental mencionada por Pollon, mas também pondera que a indicação não foi executada. Ela classifica a ação de Tabata Amaral como “maldosa” e refuta a associação de sua emenda com “supostas irregularidades e desvios de finalidade”, afirmando que não há conexão com o filme “Dark Horse”.

Ambos os deputados argumentam que a tentativa de vincular suas emendas a projetos distintos, apenas por envolverem a mesma produtora ou temas conservadores, é um erro metodológico e jurídico. Eles rejeitam a alegação de que ajudaram a custear, com dinheiro público, um filme sobre Jair Bolsonaro, defendendo o mérito social e econômico dos projetos que apoiaram.

Senador Flávio Bolsonaro e o Banco Master na mira por financiamento do filme

Uma nova revelação do The Intercept Brasil aponta o senador Flávio Bolsonaro como suposto articulador de cerca de R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse”, através de negociações com o banqueiro André Vorcaro, do Banco Master. Segundo a reportagem, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões. Áudios divulgados indicam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme, inclusive para cobrir “parcelas para trás”, em um momento de tensão para a produção.

Estas conversas teriam ocorrido às vésperas da prisão de Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes em negociações envolvendo o Banco Master e o BRB. Flávio Bolsonaro teria enfatizado a importância do filme e a necessidade de envio dos recursos para evitar problemas com pagamentos.

O deputado Mário Frias, que também é roteirista e produtor executivo do filme, negou veementemente qualquer participação societária do senador Flávio Bolsonaro ou do Banco Master na obra ou na produtora Go Up Entertainment. Ele afirmou que o filme não recebeu “nem um único centavo” de dinheiro público ou de tais entidades, classificando as relações como estritamente privadas e anteriores a quaisquer suspeitas sobre o banqueiro.

Mário Frias defende “Dark Horse” como superprodução de capital privado

Mário Frias reiterou que o filme “Dark Horse” é uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, com 100% de capital privado. Ele destacou a participação de um ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional, ressaltando a inédita qualidade da obra para retratar o que considera o “maior líder político brasileiro do século XXI”.

Frias, que atuou como secretário especial de cultura entre 2020 e 2022 na gestão de Jair Bolsonaro, defende que o projeto é real, será lançado em breve e representa um negócio bem-sucedido para os investidores. Ele buscou justificar os custos da produção, que seriam superiores a filmes premiados com o Oscar, argumentando que a qualidade e o potencial de retorno justificam o investimento.

Apesar das alegações de Frias sobre o capital privado, a investigação do STF sobre a destinação das emendas parlamentares segue em curso, buscando determinar a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos em questão. A dificuldade em intimar o deputado Mário Frias adiciona um elemento de suspense ao desfecho deste caso que envolve a política e o cinema.

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