Bento Gil, neto de Gilberto Gil, celebra a música brasileira em seu aguardado álbum de estreia, ‘Silêncio Azul’
O cenário musical brasileiro ganha um novo brilho com o lançamento de ‘Silêncio Azul’, o primeiro álbum solo de Bento Gil, neto do icônico Gilberto Gil. O trabalho, disponibilizado hoje, 19 de maio, pelo selo familiar Gege, marca a consolidação do artista de 21 anos no mercado fonográfico.
O álbum chega oito anos após o single ‘Domingo 23’, onde Bento dividiu os vocais com o pai, Bem Gil, em uma releitura de Jorge Ben Jor. ‘Silêncio Azul’ apresenta em sua capa uma pintura que evoca a atmosfera do mar, tema central de muitas das canções que compõem o disco.
Essa imersão nas sonoridades praieiras, um gênero magistralmente fundado por Dorival Caymmi, é evidenciada na escolha de Bento em regravar ‘Quem vem pra beira do mar’, um clássico de Caymmi de 1954. O projeto, que reflete a jornada musical de Bento, foi cuidadosamente produzido por sua mãe, Barbara Ohana, e gravado em março deste ano no Estúdio Palco. Conforme informação divulgada pelo selo Gege, o álbum é um trabalho orgânico, com o violão, instrumento de Bento, como protagonista.
A identidade autoral de Bento Gil à beira-mar
Em ‘Silêncio Azul’, Bento Gil não apenas revisita clássicos, mas também explora sua própria veia autoral. Canções como ‘A onda quebra’ e ‘Sereia do mar’, como os próprios títulos sugerem, mergulham em uma ambientação marítima, mostrando a maturidade do artista em compor sobre temas que o inspiram.
O repertório autoral, desenvolvido ao longo de três anos, também se volta para a rica cultura da Bahia. O ‘Samba do Bonfim’ é um exemplo disso, contando com a percussão de Luizinho do Jêje e a participação especial de Clara Buarque, que também contribui como backing vocal em outras faixas como ‘Menina de branco’ e ‘No meio do luar’.
Colaborações que enriquecem ‘Silêncio Azul’
Além das parcerias já mencionadas, o álbum conta com a participação de Jaques Morelenbaum, renomado violoncelista, que empresta seu talento às faixas ‘Lugar nenhum’ e ‘A onda quebra’. A presença de Morelenbaum adiciona uma camada sofisticada e emotiva às composições.
O patriarca da família Gil, Gilberto Gil, também marca presença no álbum, embora em um contexto instrumental. Ele assina a composição ‘Amazônia’, uma faixa onde, ao lado de Bento e Danilo Penteado, dedilha três violões, criando uma tapeçaria sonora única. ‘Silêncio Azul’ se revela, portanto, um álbum que, ao mesmo tempo que celebra as raízes e as influências familiares, demonstra a busca de Bento Gil por sua própria voz no universo da música.
Um convite à reflexão sobre a identidade musical
O disco, com suas 11 faixas, é um convite para que o público acompanhe a jornada de Bento Gil. A produção musical de Barbara Ohana e as diversas participações especiais criam um mosaico sonoro que transita entre o familiar e o inovador.
A obra ‘Silêncio Azul’ pode ser interpretada como um espelho da própria exploração de Bento, que, inserido em um legado musical tão potente, busca afirmar sua individualidade. A escolha de revisitar Dorival Caymmi, um dos pilares da música brasileira, demonstra o respeito e a admiração pelas tradições, ao mesmo tempo em que suas composições autorais apontam para um futuro promissor.




