Larissa Luz lança ‘Desmonte’, álbum que une rock e a força dos tambores com discurso ideológico
Sete anos após “Trovão” e dois após o EP “Fio pavio”, Larissa Luz retorna com “Desmonte”, seu quarto álbum solo. A cantora soteropolitana mantém a alta voltagem em sua discografia, apresentando um trabalho que amplifica seu discurso com a energia do rock, turbinando a “fúria do tambor”.
A capa do álbum, com a artista empunhando um megafone, já anuncia o tom de amplificação do discurso. “Desmonte” foi programado para ser lançado em 29 de maio, prometendo uma fusão sonora impactante e ideológica.
Conforme divulgado, “Desmonte” é um álbum de alta voltagem que mistura a percussão característica da Bahia com a força do rock. A produção e arranjos de Danilo Panda e Ícaro Motta, com colaboração de Larissa Luz, dão peso a faixas como “Acorda”, “Intensa” e a que dá nome ao disco, “Fúria do tambor”, onde um levada sutil de samba é engolida pelo peso do rock.
Rock com sotaque afro-baiano e discurso altivo
A faixa de abertura, “D.e.s.m.o.n.t.e”, flerta com o rock hardcore, servindo como veículo para a exposição do discurso altivo de Larissa Luz. Em “Careta”, a artista utiliza versos da cantiga popular “Boi da cara preta” para confrontar o machismo, em um claro manifesto contra o temor diante do poder feminino.
O álbum “Desmonte” é descrito como um disco cheio de som e fúria. Em “Sem sal”, Larissa questiona a estrutura empresarial do Carnaval de Salvador. Já em “Viola”, com a percussão de Lippe Batera, a cantora avisa que não oferecerá o lamento esperado pela sociedade racista, mas sim um canto de resistência e afirmação.
Raízes negras do rock e a celebração da identidade
Larissa Luz explica que, assim como os ritmos baianos, o rock também nasceu de uma matriz negra, mas foi embranquecido ao longo do tempo. “O álbum ‘Desmonte’ faz um movimento para trazer isso de volta, para aproximar a transgressão do rock às pulsações do corpo dos gêneros afro-baianos”, conceitua a artista, revelada nacionalmente como vocalista da banda Ara Ketu.
Apesar da forte influência do rock, ritmos baianos como o pagodão aparecem em faixas como “Tô me achando”. “Desmonte” pode ser caracterizado como um disco de rock, tocado com dose precisa de eletricidade e eletrônica, mantendo a sintonia com a Bahia, terra natal do ijexá e do samba-reggae.
Participações especiais reforçam o manifesto
O álbum conta com dois feats de peso nas faixas finais. “Antiparasita” ganha ainda mais potência com a participação da rapper Aurea Semiseria, MC de Salvador. Já “Retomada” traz Zé Atunbá, ex-integrante do grupo Afrocidade, reforçando o manifesto pelo poder negro e a força do canto destemido de Larissa Luz.




