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Fisiculturismo: Mercado Bilionário, Fama nas Redes e os Perigos Ocultos que Levam Jovens à Morte

Fisiculturismo: O Preço da Fama e dos Músculos Perfeitos no Brasil

O universo do fisiculturismo, marcado por corpos esculturais e disciplina rigorosa, tem ganhado cada vez mais destaque no Brasil. O que antes era um nicho restrito, hoje atrai multidões nas redes sociais, impulsionando um mercado bilionário. No entanto, por trás da fama e da admiração, esconde-se uma realidade de sacrifícios extremos e perigos à saúde, que infelizmente tem levado vidas jovens, como a do fisiculturista Gabriel Ganley.

A busca pelo corpo perfeito no fisiculturismo envolve dietas restritivas, treinos intensos e, muitas vezes, o uso de substâncias para acelerar o ganho muscular. Essa combinação, quando mal utilizada, pode ter consequências devastadoras, incluindo problemas cardíacos graves e até mesmo a morte. A recente perda de Gabriel Ganley, de 22 anos, vítima de cardiomiopatia hipertrófica, supostamente agravada pelo uso de anabolizantes, reacendeu o debate sobre os riscos associados a esta modalidade.

A reportagem especial do Fantástico lançou luz sobre os bastidores desse esporte que cresce exponencialmente, revelando os desafios enfrentados pelos atletas e os alertas dos especialistas. Conforme informações divulgadas pelo Fantástico, o fisiculturismo movimenta entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões por ano no Brasil, consolidando o país como o segundo maior mercado mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

A Ascensão de Ramon Dino e o Boom nas Redes Sociais

Um dos maiores expoentes dessa nova era do fisiculturismo brasileiro é Ramon Dino, conhecido como o “Dinossauro do Acre”. O atleta de 30 anos alcançou o feito inédito de ser o primeiro brasileiro a vencer uma das principais competições mundiais da modalidade. Sua trajetória inspiradora, que começou treinando em praças públicas e com uma dieta baseada em 30 ovos diários por falta de recursos, ganhou projeção global através da viralização de seus vídeos de treino nas redes sociais durante a pandemia.

Ramon Dino acumula milhões de seguidores, refletindo o enorme interesse gerado pelo fisiculturismo, especialmente entre os jovens. A popularidade nas redes sociais transformou atletas em celebridades, impulsionando a venda de suplementos, roupas fitness e academias especializadas, além de atrair grandes patrocínios e eventos de renome.

Sacrifícios Extremos e a Busca pela Perfeição Física

A dedicação ao fisiculturismo exige uma rotina de sacrifícios extremos. Atletas podem consumir até 8 mil calorias diárias em fases de preparação e submeter-se a dietas extremamente restritivas para atingir percentuais de gordura corporal baixíssimos, chegando a 2% ou 3% antes de competições. A privação social, treinos intensos e processos severos de desidratação também fazem parte do árduo caminho para alcançar o corpo idealizado.

Esses sacrifícios, somados à pressão estética e à competitividade, criam um ambiente propício para a busca por atalhos, como o uso de substâncias para acelerar o ganho muscular. Especialistas alertam que, embora comuns no fisiculturismo profissional, não existe dose segura para fins estéticos dessas substâncias.

Os Riscos Ocultos dos Anabolizantes para a Saúde

O uso de hormônios e anabolizantes é um dos pontos mais controversos e perigosos do fisiculturismo. Conforme explica o endocrinologista Ricardo Oliveira, o uso de testosterona fora de um contexto clínico de reposição hormonal é considerado um uso inadequado de esteroides anabolizantes, popularmente conhecidos como “bombas”.

Os efeitos colaterais podem variar desde problemas estéticos como acne e queda de cabelo até consequências graves para o sistema cardiovascular. Cardiologistas como Alexandre Carvalho alertam que os anabolizantes podem causar o crescimento desproporcional do músculo cardíaco, levando a problemas como infartos, AVCs e insuficiência cardíaca, além de atrofia testicular em homens. A perda da potência muscular ao longo do tempo também é uma preocupação.

Um Alerta aos Jovens e Iniciantes

O próprio Ramon Dino reconhece os riscos inerentes ao estilo de vida que escolheu. “Sim, assumi. Já tem que entrar nele sabendo que corre esse risco”, afirmou em entrevista. Ele faz um apelo especial aos jovens que se iniciam na modalidade: “Para as pessoas que estão iniciando, para os jovens, a gente já deixa a dica aqui: não faça isso se você não for um atleta. Se você não tiver um acompanhamento também, não faça isso. É uma coisa muito séria e mexe um pouco com a sua saúde”. O fisiculturismo, apesar de seu apelo e mercado, exige consciência e acompanhamento profissional para mitigar seus perigos.

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