Todo Mundo em Pânico 6: A luta contra o cancelamento e o retorno dos Wayans prometem, mas o humor se perde em piadas batidas
Após um hiato de 13 anos, a franquia de terror-paródia Todo Mundo em Pânico retorna aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4) com seu sexto filme. Intitulado apenas pelo nome original, sem o número 6, o longa marca o aguardado reencontro do quarteto original: Marlon e Shawn Wayans, Anna Faris e Regina Hall. A expectativa era alta, dada a década de novos temas e polêmicas para explorar.
O filme propõe uma nova meta para o grupo liderado por Cindy Campbell e Brenda Meeks: escapar do assassino Ghostface enquanto tentam, metaforicamente, acabar com a “cultura do cancelamento”. A proposta é clara, como sempre foi na série, que nunca se levou muito a sério. Os irmãos Wayans, também roteiristas, buscam um embate entre gerações, criticando a “geração mimimi” e o que chamam de “cultura do cancelamento”.
O roteiro, no entanto, parece compilar uma avalanche de assuntos que dominaram a internet e as notícias recentes, desde polêmicas envolvendo influenciadores e celebridades até temas como inteligência artificial e eventos políticos. Conforme informação divulgada pelo g1, o longa faz referência a temas como gays do Grindr, Kanye West, Covid-19, ChatGPT, Jeffrey Epstein, a invasão do Capitólio, streamers e produções como Wandinha e Corra!, entre muitas outras.
O humor que não decola: piadas repetidas e falta de criatividade
A estrutura fragmentada do filme, que tenta abraçar uma quantidade excessiva de referências, começa a se tornar cansativa à medida que a trama avança. As piadas sobre a “cultura do cancelamento” e a “geração mimimi”, que deveriam ser o motor do humor, acabam caindo em clichês e parecem uma reciclagem de conteúdo já visto em redes sociais como o X (antigo Twitter). Tópicos como a “machosfera”, cotas raciais e pronomes neutros já foram amplamente explorados, e a forma como são tratados no filme carece de originalidade e, muitas vezes, de graça.
O problema não reside nos temas abordados, mas na execução pouco criativa e raramente engraçada. A crítica à “nova geração”, um dos pilares da narrativa, soa como uma tentativa de “velha guarda” de ditar as regras do humor, algo que os criadores, agora na casa dos 50 anos, parecem querer mostrar como se faz.
Melhores momentos surgem fora do foco no cancelamento
Curiosamente, os momentos de maior destaque no filme ocorrem quando os personagens se afastam da fixação pela “nova geração” e passam a satirizar a própria indústria cinematográfica e a si mesmos. Essas cenas, que fogem do tema principal, mostram um respiro de criatividade e um humor mais autêntico.
Final promissor e controle criativo retomado
Felizmente, o desfecho do longa consegue resgatar parte do fôlego perdido. O final é animador para os fãs e indica que os irmãos Wayans retomaram o controle criativo da marca. É um presente para os admiradores da franquia, que agora esperam que futuras sequências evitem o cansaço criativo e o lugar-comum que marcaram este sexto capítulo, indo além das piadas sobre o “mimimi” da nova geração.





