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Bloqueios na Bolívia: Crise Alimentar Agrava Fome e Hospitais Entram em Colapso com Falta de Medicamentos e Oxigênio

Bolívia em Crise: Greves e Bloqueios Levam o País à Beira do Colapso Alimentar e Sanitário

A Bolívia enfrenta uma grave crise humanitária devido aos bloqueios de estradas que já duram 35 dias. Iniciados em 1º de maio pela Central Operária Boliviana e pela Federação Camponesa Tupac Katari, os protestos visam exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz, mas têm como principal consequência a paralisação do abastecimento de itens básicos.

Alimentos frescos, medicamentos e combustíveis se tornaram artigos de luxo para muitos bolivianos. A dificuldade de acesso e o aumento exorbitante dos preços impactam diretamente a segurança alimentar e a saúde da população, com hospitais operando em condições críticas e famílias lutando para conseguir o mínimo para sobreviver.

Esses protestos, que se concentram em sete dos nove departamentos do país, já somam pelo menos 90 pontos de bloqueio. Conforme informações divulgadas, a situação é alarmante, afetando direitos fundamentais como alimentação, saúde e vida, conforme afirmam autoridades locais.

A Fome Bate à Porta: Preços Disparam e Escassez Assola Mercados

Graciela Cancari, uma vendedora indígena aimará de El Alto, relata o desespero de quem depende do comércio para viver. Ela precisou caminhar por duas horas, empurrando um carrinho com sua filha, para chegar à sua barraca de frutas. A falta de transporte público é apenas um dos reflexos da crise, que elevou os preços a patamares inacessíveis.

“A situação está muito ruim, estamos preocupados. Outros nem têm dinheiro suficiente para comprar nada, está muito caro”, desabafa Graciela. Ela conta ter tido um prejuízo de 300 bolivianos (R$ 216) ao ter que vender tangerinas abaixo do preço pela falta de compradores.

A volatilidade do mercado forçou muitos vendedores a fecharem suas barracas. Para famílias como a de Reina López, também de El Alto, o orçamento para alimentação disparou. Antes, gastava 150 bolivianos (R$ 108) por semana; agora, 200 bolivianos (R$ 144) mal compram alguns itens básicos.

Hospitais no Limite: Oxigênio e Medicamentos em Risco Crítico

A crise sanitária é igualmente alarmante. O Hospital Norte de El Alto esteve prestes a ficar sem oxigênio líquido, colocando em risco a vida de 12 pacientes em estado grave na UTI. Uma negociação emergencial garantiu suprimento para apenas três dias.

O diretor do Serviço Departamental de Saúde, José Carrasco, descreve a situação como crítica em todos os sete hospitais de nível terciário de La Paz. A impossibilidade de transportar oxigênio líquido devido aos bloqueios fez com que as reservas atingissem níveis perigosamente baixos.

Além do oxigênio, há escassez de anestésicos e medicamentos cirúrgicos. O Complexo Hospitalar de Miraflores suspendeu cirurgias eletivas, atendendo apenas emergências. O departamento declarou estado de emergência sanitária para tentar agilizar a obtenção de recursos.

Ambulâncias Paralisadas e Pacientes Desassistidos

A dificuldade no transporte de pacientes também é uma realidade sombria. Ambulâncias ficaram retidas nos bloqueios, e o Ministério da Saúde informou que cinco pessoas morreram a caminho do Hospital de Clínicas de La Paz para receber atendimento especializado.

A escassez e o aumento dos preços dos medicamentos sobrecarregam os pacientes. A farmácia do Hospital de Clínicas não possui todos os suprimentos, forçando os pacientes a arcarem com os custos em farmácias particulares, algo cada vez mais difícil com o aperto financeiro geral.

Filas Kilométricas por Combustível e Renda Perdida

As filas nos postos de gasolina se estendem por quarteirões, com motoristas, como Kevin Coarite, que trabalha com delivery, passando dias na espera. Ele montou uma barraca para se proteger do frio noturno enquanto aguarda os 12 litros de combustível que lhe permitirão trabalhar por, no máximo, três dias.

O tempo gasto em filas representa uma perda significativa de renda para Coarite, que deixa de ganhar entre 100 e 200 bolivianos (R$ 72 a R$ 144) por dia. A última remessa de combustível em um posto no centro de La Paz foi inferior ao normal, e os motoristas continuam aguardando um novo abastecimento, sem previsão de quando chegará.

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