Israel ignora Trump e ataca Irã em retaliação, enterra cessar-fogo e promete novos ataques
Em uma escalada de violência que ignora os apelos internacionais, Israel lançou ataques contra o Irã neste domingo (7), em retaliação a um bombardeio iraniano anterior. A ação militar israelense rompe o frágil cessar-fogo acordado em 7 de abril e levanta sérias preocupações sobre uma nova escalada regional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia solicitado a Israel que não houvesse retaliação, visando manter a trégua em vigor. No entanto, o governo israelense optou por responder aos ataques iranianos, prometendo novos ataques e desconsiderando os apelos por calma.
A troca de disparos entre os dois países, que já vinha ocorrendo, intensificou-se com a decisão de Israel de bombardear alvos no complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do Irã, e bases aéreas iranianas. Conforme informações divulgadas, o exército israelense detectou uma nova onda de mísseis lançados do Irã em direção ao seu território, mobilizando sua defesa aérea. O Irã, por sua vez, afirmou ter atacado as bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof. A agência AFP relatou ter ouvido explosões sobre Jerusalém após o acionamento de alertas aéreos.
Troca de ataques e promessa de mais confrontos
O exército israelense anunciou, através de sua conta no Telegram, que identificou mísseis lançados do Irã em direção ao território de Israel e que os sistemas de defesa foram ativados. Em resposta, a Força Aérea israelense bombardeou alvos militares nas regiões ocidental e central do Irã. A imprensa estatal iraniana relatou explosões em Teerã, Tabriz, Isfahan e Karaj. O espaço aéreo de boa parte do Irã foi fechado, com relatos indicando que o aeroporto internacional de Teerã e um armazém de drones na capital podem ter sido alvos.
Apelo internacional por calma e risco diplomático
O presidente Donald Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para pedir o fim imediato dos ataques entre Israel e Irã. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também pediu calma, enfatizando a necessidade de as partes se sentarem à mesa de negociações para alcançar um acordo, em vez de uma nova escalada na região.
O ataque iraniano deste domingo ocorreu após Israel ter bombardeado Beirute, capital do Líbano, uma ação que o Irã considerou ter “cruzado todas as linhas vermelhas” devido ao ataque contra o Hezbollah, milícia aliada ao Irã. Cerca de 11 mísseis foram lançados contra Israel, mas todos foram interceptados.
Netanyahu sob pressão e incertezas nas negociações
Em resposta aos ataques iranianos, Trump afirmou ter conversado com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, pedindo que ele não retaliasse. O presidente americano declarou que um acordo estava próximo de ser assinado, mas que os recentes ataques podem complicar o processo. Trump também expressou sua autoridade sobre as negociações, afirmando que Netanyahu “não tem escolha a não ser aceitar um acordo com o Irã”.
A decisão de Israel de retaliar o Irã pode gerar uma crise sem precedentes nas relações com os Estados Unidos, seu principal aliado. O futuro das negociações para encerrar a guerra no Irã, iniciada por Trump e Netanyahu, agora paira na incerteza. Recentemente, Trump teve uma conversa tensa com Netanyahu, exigindo o fim dos bombardeios contra o Líbano e fazendo comentários pessoais sobre o primeiro-ministro israelense.
Netanyahu, que enfrenta eleições em outubro, tem sido criticado por supostamente ceder demais às exigências de Trump sobre a conduta de Israel na guerra contra o Irã e em operações militares contra o Hezbollah no Líbano.





