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Xi Jinping na Coreia do Norte: Acrobacias e ‘destino comum’, mas silêncio sobre armas nucleares

Xi Jinping na Coreia do Norte: Acrobacias e ‘destino comum’, mas silêncio sobre armas nucleares

O líder chinês, Xi Jinping, concluiu uma visita de dois dias à Coreia do Norte, marcando seu primeiro retorno a Pyongyang desde 2019. A recepção foi grandiosa, com tapete vermelho e apresentações acrobáticas elaboradas, organizadas pelo ditador norte-coreano, Kim Jong-un.

A viagem, embora sem acordos concretos anunciados, foi vista por Kim como um sinal da **máxima importância** atribuída às relações bilaterais, conforme reportado pela agência KCNA. A visita ocorre em um momento delicado, com a China buscando reafirmar sua influência sobre um aliado estratégico, mas imprevisível, que se aproximou recentemente da Rússia.

Para a China, a visita de Xi Jinping serve como um lembrete a Kim Jong-un de que seu principal aliado continua sendo Pequim. Já para Kim, receber uma autoridade de alto escalão poucas semanas após encontros de Xi com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin, demonstra que ele ainda possui aliados influentes, mesmo sob sanções internacionais.

Um ‘destino comum’ e a ausência do tema nuclear

Durante um banquete, Xi Jinping elogiou as relações entre os dois países, afirmando que China e Coreia do Norte compartilham um **”destino comum”**, segundo a agência Xinhua. Kim Jong-un, por sua vez, reafirmou o compromisso norte-coreano em tratar a amizade com a China como prioridade e apoiou o princípio de **”Uma Só China”**.

Kim destacou que a visita reforça a força da relação bilateral em meio a **”turbulências nos assuntos internacionais”**. Xi Jinping mencionou um **”consenso importante”** com Kim para aprofundar as trocas e os laços entre as populações, lembrando também o 65º aniversário do pacto de defesa entre os dois países, o único tratado desse tipo da China com outra nação.

Contudo, as discussões sobre a **desnuclearização da Coreia do Norte** foram notavelmente ausentes dos relatos oficiais da imprensa estatal. Essa omissão não surpreendeu analistas, visto que a China tem reduzido suas cobranças públicas sobre o tema nos últimos anos.

Símbolos de amizade e possíveis frustrações

Xi Jinping foi acompanhado por figuras importantes de seu governo, incluindo ministros e o chefe de gabinete. Os líderes visitaram a Torre da Amizade, monumento que homenageia soldados chineses, e plantaram um pinheiro na principal escola de dirigentes do Partido Comunista em Pyongyang, simbolizando a **amizade duradoura**.

A visita de Xi Jinping à Coreia do Norte, apesar da pompa e das demonstrações de afeto, pode esconder divergências. Xi expressou o desejo de **”abrir conjuntamente um futuro mais brilhante para a causa socialista dos dois países”**, um tema sensível para a China.

A China tem incentivado a Coreia do Norte a adotar um modelo de desenvolvimento que combine liderança de partido único com a expansão de mercados, investimentos estrangeiros e comércio internacional. No entanto, analistas como Sydney Seiler, do CSIS, sugerem que Xi pode estar frustrado, pois Kim Jong-un **”não mencionou nenhum processo de desenvolvimento e a Coreia do Norte continua se recusando a aprender com a experiência de desenvolvimento da China”**.

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